Política conquistense: Guilherme diz que acordo com PCdoB é mais fácil do que com PSB

17 01 2012

Encontrei o prefeito Guilherme Menezes no vôo da Trip de sexta (14), pela manhã. Ao desembarcarmos em Salvador, cumprimentei-o e perguntei se me daria uma entrevista. Ele poderia estar chateado, pois apesar de ter ressaltado suas qualidades como homem público e a importância do seu trabalho para Vitória da Conquista, eu afirmei que a sua decisão de disputar a reeleição, era mais vaidade pessoal do que outra coisa. Mas o prefeito aceitou bater um papo rápido. Cortês, Guilherme esperou que eu pegasse a mala na esteira e quase 20 minutos depois começamos a conversar. Era para ser rápido, mas levou mais de uma hora a nossa conversa.

Comecei dizendo a ele o que eu pensava, a princípio, sobre a sua decisão de disputar mais uma vez a prefeitura, informando da publicação que fiz no blog acerca disso, pois é possível que ele não tenha lido. E perguntei, afinal, se não era isso mesmo, se a sua tentativa de reeleger-se não era apenas um capricho pessoal, para ter seu nome na história como o único prefeito a governar o município por quatro vezes (José Pedral Sampaio foi eleito três vezes), Guilherme negou. E disse que ele mesmo nunca se colocou como candidato, nem em 1992, quando disputou pela primeira vez e ficou em segundo lugar, perdendo para Pedral, nem em 1996, quando PT venceu.

Guilherme Menezes lembra que em 2002 seu nome era praticamente uma unanimidade como preferido para ser o candidato do PT ao governo do estado. “Até Wagner esteve em Conquista para me convencer, mas eu não quis. Expliquei que o meu projeto era fazer um grande trabalho em Conquista”. O prefeito também negou que tivesse feito pressão para que Márcia Pinheiro fosse a candidata a vice em sua chapa, nas eleições de 2000. Falei a ele que quase todo mundo no partido diz o contrario, mas Guilherme disse que sempre pensou em José Raimundo, que viria a ser escolhido pelo partido*1.

Guilherme continua difícil de decifrar, mas caminha para a reeleição (Foto: Mateus Pereira/AGECOM)

Sobre o momento político, eu quis saber do prefeito se o fato de três dos partidos da aliança que governa Vitoria da Conquista, há mais de 15 anos, terem manifestado a intenção de lançar candidatos a prefeito, que concorreriam com ele, Guilherme, não seria uma forma de demonstrar insatisfação, no mínimo de dizer que o projeto cansou e que precisa ser modificado ou renovado? Ele diz que não vê assim. “Eu não vejo como uma crítica ao nosso trabalho. Vejo mais em função do crescimento dos partidos, inclusive no âmbito nacional, e no fato de que as candidaturas podem conduzir esses partidos para um crescimento maior ainda”.

Para Guilherme Menezes merece uma festa de comemoração os mesmos partidos terem sustentado o projeto político por 20 anos. Ele inclui a sua candidatura em 1992. Lembra que o único partido que estava no projeto desde o início e saiu foi o PSDB, que teve Clóvis Assis como vice-prefeito no primeiro governo petista, de 1997 a 2000. Sobre a relação com Assis e com os tucanos, Guilherme diz que não criou as dificuldades que na época foram mencionadas pela imprensa (o vice teria ficado sem sala, sem telefone e sem poder opinar nas reuniões, por exemplo). “O afastamento foi derivado de diferenças grandes até em nível nacional, todo mundo queria que desse certo, mas a incompatibilidade em Conquista não era diferente do que ocorria no Brasil”.

Guilherme Menezes está de férias. Vai ficar até o dia 27 fora da prefeitura, que está a cargo do vice, Ricardo Marques, que era do PV e hoje é PT. Ninguém acredita que o prefeito se isole da discussão política na cidade. Sabe-se que Guilherme Menezes é, como se diz no interior, do tipo “calado, mas não é besta”. Para mim ele disse que dos três partidos que fazem articulações para lançar candidato a prefeito o PCdoB “sinaliza de uma forma mais clara de que fica na aliança”. O prefeito conquistense admite que o PSB tem sido mais consistente em sua decisão de sair com candidato próprio à prefeitura. E falou pouco do PV.

Eu é que disse que a candidatura do cantor e compositor Edgar Mão Branca tinha sido fogo de palha, pois ele não tinha hegemonia dentro do partido. Lembramos, no entanto, que o PV já rompeu com o PT em nível estadual, tendo lançado um candidato a governador no ano passado, Luis Bassuma, que fez franca oposição ao governador Jaques Wagner. Mesmo assim Guilherme pareceu estar muito tranqüilo quanto à participação do PV na aliança que apoiará a sua tentativa de reeleição.

Para o vice Ricardo Marques o PV, seu antigo partido, fica na aliança

Para Mão Branca o PV pode sair com candidato próprio. Ele.

A conversa com Guilherme Menezes também incluiu a relação pessoal dele com o governador Jaques Wagner, a sua mudança de postura como gestor, que agora dá ênfase a obras como pavimentação, a violência na cidade e sobre o comentado cansaço do projeto político*2, a possível demanda da população por uma mudança no modo de governar ou mesmo por uma requalificação da administração, com a substituição dos atuais protagonistas. Para poder organizar melhor o texto e também para manter a audiência, deixo para publicar o restante da matéria amanhã (ou depois).

*1 Leia sobre isso no post Um bom projeto não tem que ter o mesmo governante sempre

*2 – No ano passado acompanhei uma plenária regional do PT, em Jacobina, e ouvi o presidente estadual, Jonas Paulo, explicar qual seria a postura do partido na eleição deste ano. Entre outras coisas ele explicou que o partido priorizaria as candidaturas próprias nos 20 maiores municípios da Bahia. Respondia a um militante que queria saber se Jacobina seria uma dessas prioridades para o PT (Jacobina é exatamente o 20º baiano em população, segundo o IBGE). A certa altura, Jonas falou da situação de cada município e mencionou Conquista. Explicou que uma suposta queda da popularidade do governo municipal e o risco de crescimento de candidaturas adversárias davam-se porque havia uma “estafa de material, um desgaste, por causa do tempo que o PT está à frente do governo”. Para Jonas, isso é natural e poderá ser revertido. 





PCdoB de Conquista deve ficar onde está e apoiar Guilherme. Tudo indica

6 01 2012

Uma nota publicada no site Bahia Todo Dia dá um sinal muito claro de que o PCdoB não estará na disputa pela prefeitura de Vitória da Conquista, pelo menos na cabeça de chapa. Numa ginástica, o assessor do deputado estadual Fabrício Falcão, Élvio Magalhães, nega afirmando, confirma negando. A nota do Bahia Toda Dia começa dizendo que assessoria do deputado nega que ele tenha retirado a candidatura, apesar das notícias recorrentes nos blogs de Vitória da Conquista de que o PCdoB caminha para selar uma aliança com o PT, do prefeito Guilherme Menezes.

Como não pode negar tudo, Élvio diz que as negociações entre PT e PCdoB estão acontecendo, “assim como estamos conversando com outros partidos da base do governador Jaques Wagner”. O assessor esqueceu de explicar que tipo de conversa. Afinal, não há chance de o PT retirar qualquer de suas candidaturas colocadas no estado, especialmente a de Guilherme, que em um quadro de apenas duas candidaturas fortes deve levar a eleição no primeiro (e inédito) primeiro turno.  A conversa pode até estar se dando, mas para saber quais as vantagens que o PCdoB terá quando anunciar a desistência de Fabrício – eu espero que isso seja apenas uma hipótese, pois Vitória da Conquista precisa de uma candidatura alternativa à polarização Guilherme-Herzém.

O site da capital baiana menciona o Blog do Anderson e diz que o mesmo “sugere que as lideranças municipais do partido (PCdB) estão articulando a coligação para reeleição do atual prefeito petista, Guilherme Menezes, e que existe chance dos comunistas indicarem o vice na chapa do PT”, o que Élvio Magalhães nega, mas, de novo, sem condição de convencer. Ele diz que não há possibilidade de Fabrício ser vice de Guilherme, mas logo acentua que o partido, PCdoB, pode indicar o vice, concorrendo, embora, com PSB e PV, ambos também com pretensos candidatos a prefeito.

Ao dizer que o PCdoB pode indicar o vice, o assessor do deputado Fabrício dá razão aos que especulam que o anúncio da desistência à pré-candidatura está muito perto. O que ele parece garantir é que o deputado comunista não será o vice. Compreensível. Fabrício Falcão teve dois excelentes mandatos de vereador em Vitória da Conquista e é uma das mais gratas revelações da Assembléia Legislativa, demonstrando seu perfil parlamentar. Seria uma lástima, e um passo atrás, aceitar uma vice do tipo cala-a-boca.

O PCdoB, diga-se Fabrício Falcão, foi com muita sede ao pote. Sempre auxiliar do PT (a bem da verdade, sem medo de resmungos, o PCdoB conquistense não seria o que é no cenário político local se o partido fundado por Lula no Brasil e José Novais, Ruy Medeiros e José Raimundo em Vitória da Conquista não tivesse vencido em 1996 e chegado até aqui no poder), os comunistas parecem querer continuar dependentes do Partido dos Trabalhadores e não demonstram disposição de romper com o governo municipal, talvez com medo de perder musculatura e de contrariar o governador Jaques Wagner, arriscando-se a perder muito do que almejam tanto em 2012 quanto para 2014.

Na história política conquistense dos últimos 30 anos, embora tenha eleito um quadro em 1982 – vereador Ubirajara Mota, eleito pelo PMDB porque o partido ainda estava proibido de organizar-se oficialmente, por força do regime militar -, o PCdoB nunca teve força para ir além do sindicato dos bancários. Orbitando em torno dos nomes de Miguel Felício e Elias Dourado, viu surgir sua oportunidade para deslanchar como força política protagonista na figura de Fabrício Falcão, forjado em embates estudantis – diz-se que ele ficou nove anos na universidade apenas para fazer a política – e na relação com o movimento dos trabalhadores rurais, patrocinado pela Fetag.

PCdoB não garante candidatura de Jean Fabrício Falcão
Fabrício conseguiu uma proeza, em se tratando de PCdoB: reelegeu-se vereador, ainda Jean Fabrício e, já Fabrício Falcão, chegou a deputado estadual. Sentiu-se pronto para ser prefeito de Vitória da Conquista. E eu não duvido que pode sê-lo e não hesitaria em emprestar-lhe apoio, entretanto, seus movimentos foram particulares, individuais, com pouca gente do PCdoB a segui-lo no intento, além dos assessores. O PCdoB não consegue se desligar do PT e nem do que o poder oferece e isso não é uma ofensa, mas uma constatação. Fabrício foi ficando cada vez mais só. E no pote não há água suficiente para matar a sede dele.
No mês de outubro do ano passado, os defensores da candidatura de Fabrício Falcão, dentro do PCdoB, ficaram eufóricos com uma definição que teria sido adotada pela executiva estadual do partido, com a anuência e orientação da nacional, de que a pretensão não era apenas legítima e justa, da parte do deputado, como também seria do interesse da agremiação. Disseram que era prioridade. E que, portanto, o partido em Vitória da Conquista teria que acatar e sustentar o nome do deputado para disputar o cargo majoritário na eleição de outubro deste ano.
Empolgados, os articuladores da pré-candidatura de Fabrício informaram que a decisão da estadual incluía recomendação para que os filiados do PCdoB com cargo no governo deixassem essas funções, incluindo o seu presidente municipal, Marcos Andrade, que ocupa cargo de secretário. Coincidentemente, enquanto o partido decidia isso em nível estadual, Guilherme Menezes, o prefeito, mudava Marcos de diretor da Agência de Desenvolvimento Trabalho e Renda para a pasta do Meio Ambiente, onde ele está até hoje. Ninguém saiu. O próprio Guilherme, quando do anúncio do “rompimento”, disse ao blog do Anderson que o PCdoB deveria entregar os cargos já que decidira ter candidato (leia aqui 

http://migre.me/7qMuy).

Ou seja, embora Fabrício ainda queira e seus assessores neguem sem ênfase a sua desistência, desde que ficou tudo certo que nada estava certo.
– ORIGINALMENTE PUBLICADO NO 

BLOG DE GIORLANDO LIMA.





Duvidar do TCM representa a minha desconfiança nas instituições oficiais brasileiras

4 01 2012

(OU: DESTE MODO DIGO O QUE PENSO SOBRE A REJEIÇÃO DAS CONTAS DE GUILHERME MENEZES)

Eu não acredito nos tribunais de contas. Simplesmente porque não boto fé na maioria dos seus “julgamentos” e desconfio muito da burocracia tecnocrata, ainda mais quando sei da proximidade dos fiscalizados e fiscalizadores, nas tais das auditorias, quando o pessoal do TCM tem a chance de firmar novos relacionamentos pessoais e conhecer, mais de perto, aqueles que teriam cometido os erros ou deslizes que deram origem à investigação.

Dessa relação pode vir tudo, até nada.

Alem do que, sabemos que nesta Bahia de meu Deus a politicagem é uso corrente quando se trata de avaliação de contas de gestões e gestores. Não digo que toda decisão contra um prefeito ou presidente de Câmara decorre disso, mas me parece que uma grande parte, e coloca grande nisso, vem contaminada pelo aspecto político ou partidário. Aí a gente tem que filtrar.

No caso da aprovação de contas de uma dada prefeitura, eu nunca saberei se o TCM o fez porque estaria tudo correto. Como jamais saberei se ao dar parecer por sua rejeição (atribuição dos vereadores, quase sempre tão leais), haveria de fato e sem dúvida motivo para recomendar tal medida.

Um pequeno deslize contábil, uma diferença de interpretação técnica, distintos pontos de vista do contador do órgão fiscalizado e do analista do tribunal, uma prestação de contas intempestiva e eis que pode-se gerar uma manchete, um processo, até o fim de um mandato, motivos para a oposição fazer a festa.

Em muitos casos os responsáveis pelo parecer contrário também fazem a festa, brindados pelo serviço bem feito.

Eu seria irresponsável se afirmasse aqui que a prática dos tribunais de contas, os municipais, refiro-me em especial, é a da corrupção, da chantagem técnica para usufruir benefícios. O que sei do funcionamento do TCM não me dá essa autoridade e eu não teria essa ousadia. Entretanto, já ouvi isso na queixa de atingidos ou na galhofa de “atingidores”.

Ademais, se assim não fosse, o TCM poderia substituir todo o resto da lista de instituições brasileiras, onde a corrupção é tão presente quanto a competência, que se sabe também haver nos órgãos governamentais e/ou fiscalizadores do nosso País. Duas mulheres dão testemunho disso.

A juíza Eliana Calmon, corregedora do Conselho Nacional de Justiça, repetidas vezes mencionou bandidos togados, instituições mentirosas, etc., ao referir-se a juízes e entidades representativas dos magistrados. E a presidente Dllma Roussef, que no ano passado, ao responder à apresentadora do Fantástico, que perguntou se ela se estaria fazendo uma faxina contra a corrupção, disse: “Faxina começa às 6 da manhã e, às 8, ela já acabou. Corrupção não é faxina. Você não acaba. Você a torna cada vez mais difícil”.

Mas a tal da corrupção continua lá.





Onde Wagner vai mal

25 10 2011

Usuário de helicóptero em seus deslocamentos para o interior do estado e até mesmo do palácio de Ondina à Governadoria, no Centro de Administrativo, e de aviões em suas frequentes viagens internacionais na busca de investimentos para o estado, o governador Jaques Wagner não deve lembrar-se de como é viajar de carro nas estradas, usar o ferry boat ou tentar vencer os engarrafamentos das ruas e avenidas de Salvador (quando ele sai de carro, motos de batedores e velozes carros pretos com sirenes ligadas tornam o que para todos seria um suplício uma tranquilidade para o governador, o que é legal e moral).

À frente de um governo responsável pela recuperação de mais de uma dúzia de estradas importantes na Bahia, todas com um nível de qualidade muito superior às obras anteriores, Wagner, no entanto, não pode ser considerado um campeão quando o assunto é transporte de passageiros. É incrível, por exemplo, a leniência do seu governo em relação ao péssimo serviço e aos abusos da TWA na travessia que milhares de baianos (e turistas) fazem diariamente de Salvador a Itaparica. Agora, espera-se uma tomada de posição quanto à sanha capitalista da concessionária de pedágios na Bahia, que não tem demonstrado a mesma agilidade para oferecer um serviço de qualidade quanto teve para começar a cobrar a passagem em várias das estradas baianas.

Pelo que se vê na imprensa, a Via Bahia não teve pressa e não demorou para aparecerem os buracos, os perigos na estrada, os acordos não cumpridos com moradores de bairros e localidades próximos de seus pedágios. E a explosão se viu nas últimas horas. Consta que até tiros ocorreram em protesto de moradores na BR 324. Por conta do episódio e dos problemas apontados. governador já está sendo cobrado a se manifestar. Não precisaria, se os setores do seu governo que fiscalizam, acompanham obras e processos semelhantes estivessem mais atentos. A fiscalização, a proatividade, funcionam como profilaxia e ajudam a impedir dissabores políticos.

E para falar de um tema muito atual e caro ao governo da Bahia, os dias passam, os meses chegam o ano encurta e nós vamos duvidando que esta cidade de Salvador terá um sistema de transporte nem diria moderno, mas decente, para a Copa de 2014. Não duvidemos da viabilização do corredor aeroporto-Iguatemi e melhorias no acesso à Arena Fonte Nova, mas quem vier para a Copa vai sofrer, tanto ou mais do que nós penamos hoje na Tancredo Neves, no Rio Vermelho, na Joana Angélica, na Vasco da Gama, na Vitória, Garibaldi, Centenário, Sete de Setembro, Otávio Mangabeira, Paulo VI, ACM…

Nesta questão dos transportes na Bahia, em Salvador especialmente, há muito mais coisas a pensar (e fazer) do que uma ponte entre Salvador e Itaparica.

Projeto da ponte Salvador-Itaparica.

 

Engarrafamento na orla de Salvador (Foto: A Tarde)





Wagner confia que Salvador terá jogos da Copa das Confederações

24 10 2011

Governador também está entusiasmado com fábrica de chocolate e novo polo de vinhos

O governador Jaques Wagner, em seu programa Conversa com o Governador, que vai amanhã ao ar em vários emissoras de rádio da Bahia, demonstra entusiasmo com a atração de fábricas internacionais de chocolate e com a implantação de mais um pólo produtor de vinho no estado, na Chapada Diamantina. E comenta sobre a Copa de 2014. O governador discorda de quem diz que os jogos que acontecerão na Aena Fonte Nova serão pouco importantes. Veja o resumo a seguir, em redação do jornalista Edmundo Filho, coordenador de rádio da Secretaria de Comunicação Social do Estado da Bahia.

A construção da Arena Fonte Nova, que já vinha em ritmo acelerado, teve o número de trabalhadores ampliado para que o estádio possa receber os jogos da Copa das Confederações. É o que informa o governador Jaques Wagner no seu programa de rádio desta terça-feira (25). Ele diz que ao retornar da viagem à França e Portugal, de onde trouxe novas perspectivas de negócios para o estado, sobretudo nas áreas de chocolate e vinhos, conversou com a empresa Fonte Nova Participações sobre o andamento da obra. Ele ressalta ter “absoluta convicção” de que a Bahia participará da competição com pelo menos três jogos.

Wagner alerta sobre a necessidade de “todo mundo ter que se juntar para trazer mais evidência e mais prestígio para Salvador e a Bahia”. O governador também disse que ficou animado com a decisão da Fifa de definir seis jogos da Copa do Mundo para o estado, sendo que, dos quatro jogos da primeira série, três são cabeça de chaves, “ou seja, os jogos mais importantes. Não é qualquer jogo”.

Outro assunto de destaque é a sua participação no Salon Du Chocolat, na semana passada, na França, considerado o maior evento de cacau e de chocolate do mundo, que, em 2012, será realizado na Bahia. Pela primeira acontecerá na América Latina/Brasil. “Vem exatamente para a terra do cacau”, deixando “o circuito Estados Unidos/Europa/Japão”.

Segundo Jaques Wagner, o Salão sempre foi realizado em países que consomem chocolate, mas que não são produtores de cacau. “Então, esse é um destaque. É um trabalho que eu venho fazendo há dois anos e meio, três anos, junto com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), a Ceplac (Comissão Executiva de Planejamento da Lavoura Cacaueira), com os nossos produtores lá de Ilhéus, de Itabuna e de toda a região”.

O governador enfatiza o fato de ter conseguido trazer uma fábrica de chocolate americana, que se dedica especificamente ao chocolate para crianças. Para isso, foi assinado, na última sexta-feira (21), em Paris, um Protocolo de Intenções para instalação provavelmente no eixo Itabuna/Ilhéus.

“É mais uma forma de valorizar o cacau, essa lavoura que já representou 60% da riqueza baiana e, graças a Deus, se recupera a cada ano. Já somos de novo o maior produtor de cacau do país. Internacionalmente, todo mundo reconhece o paladar, o sabor do produto baiano, e eu espero que, com o salão, a gente consiga projetar ainda mais a economia baiana no circuito internacional”.

Vinhos – No programa Conversa com o Governador, Wagner fala ainda da visita que fez à região Bordeaux, na França, uma das mais importantes na produção de vinho, onde a Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), por meio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), assinou um primeiro convênio de entendimento para trazer mudas das uvas que produzem o vinho de Bordeaux.

A idéia é plantar as mudas na Chapada Diamantina, que tem um clima próprio para receber a fruta. Wagner afirma que há dois anos foi feito algo semelhante com as uvas da região de Champanhe também da França, que começa apresentar resultados satisfatórios em Morro do Chapéu.

Segundo o governador, poucos sabem que o Vale do São Francisco já é segunda maior região produtora de vinho, com 7,2 milhões de litros por ano. “Então, cumpro, assim, aquilo que eu entendo que é a minha obrigação, de mostrar a Bahia lá fora, de sensibilizar investidores de todas as áreas”.

Nesse sentido, ele afirma que também manteve contato com empresários das áreas do turismo, indústria e energia eólica, para mostrar e dar garantia de que “vivemos em um país e em um estado que tem regras claras, transparentes, de tal forma que os investidores se motivem a vir aqui, gerar riqueza, trabalho e emprego para a nossa gente”.

Porto Sul – No final do programa, Wagner chama a tenção para a audiência pública do licenciamento do Porto Sul, que será realizada no sábado (29), às 14h, no Centro de Convenções de Ilhéus. O porto será instalado no final da Ferrovia Oeste-Leste, que representará um forte vetor de desenvolvimento, de atração de novos investimentos para todo o estado, particularmente para o eixo Ilhéus/Itabuna.

“Eu espero que, nessa audiência, tudo possa ser esclarecido, mostrando que o Porto Sul chega para somar, com uma ferrovia, um novo aeroporto, para que a gente garanta hoje, daqui há dez, vinte anos, o desenvolvimento que a Bahia precisa, gerando emprego e cidadania para todo mundo”.

Acesse o link para ouvir ou baixar áudio em mp3: Conversa com o Governador





Por que Geddel insiste em fazer assim?

13 09 2011

Gostaria de ter retomado o meu blog com assuntos mais amenos, comemorações de vitórias dos times baianos no Brasileirão, por exemplo. Mas como estou enferrujado e precisava me atualizar para este recomeço, fui dar uma volta na blogosfera para ver as novidades e, claro, dar a famosa “roubadinha” que todo mundo dá na grande rede, onde tudo a pertence a todos e a informação não é exclusiva de quase ninguém.

A novidade é o blog do ex-ministro Geddel Vieira Lima. E é de lá que trago os meus primeiros comentários na minha reestreia como blogueiro. Três coisas me chamaram a atenção, a começar pelo texto e pela postura que considero fake. Durante o lançamento do blog, Geddel afirmou que ele mesmo iria postar as notícias. Questionado se teria tempo disse que “só os limitados acham que não dá tempo” e que atualizaria o seu blog de madrugada (http://migre.me/5GtiK).

Hoje, 13 de setembro de 2011, há pelo menos três notícias novas lá. Todas em primeira pessoa. Geddel noticia e comenta ao mesmo tempo. Um prolífico redator. Deve ter levado boas horas na madrugada escrevendo suas notícias e análises. Deve estar trabalhando agora com muito sono. Uma piada que ele não precisava. Não seria melhor, mais sincero, assumir que jornalistas (ou publicitários) escrevem para o blog e, se for o caso, mencionar Geddel nos textos, dando-lhe o condão de comentar, criticar, sugerir mudanças ao governo tão errado? Mas, não. Preferem essa coisa fake.

Mas, vai alem a natureza falsa do blog. Em duas notas Geddel repete o expediente que tentou usar contra Jaques Wagner na eleição passada e que lhe rendeu uma tamanha antipatia que o levou a ficar o tempo todo na sua campanha eleitoral no rádio e na TV explicando que não erra arrogante, que era apenas simples e sincero. No blog novo Geddel continua a deturpar o que ele mesmo escreve. Nos casos que vou citar, levarei em conta que ele apenas faz os textos originais e os entrega à equipe para revisar e dar os títulos, por isso os equívocos – chamemos assim.

Numa das notas É de morte: seis são assassinados por dia em Salvador e RMS, Geddel (vamos considerar que tenha sido o próprio, como ele quer fazer-nos crer) escreve: “Tenho acompanhado apreensivo a situação da segurança pública na Bahia, especialmente em Salvador. (…) Como explicar uma política de combate à violência que permite o assassinato de uma pessoa a cada seis horas em Salvador e RMS, um total de 1.238 homícidios até junho deste ano?”

Quero dizer que concordo com o ex-ministro, líder do PMDB na Bahia: a violência e a insegurança nas ruas da Bahia assustam. As políticas de segurança (e nem o discurso) do governo do estado não estão conseguindo impedir a escalada do crime. Mesmo assim, Geddel, se há o assassinato de uma pessoa a cada seis horas em Salvador e RMS, não são seis são assassinados por dia em Salvador e RMS. Matemática pura e simples, que não combina com sensacionalismo a serviço da política. Reafirmo: um excesso vergonhoso a que o governo da Bahia não dá a devida resposta e a imprensa baiana, especialmente a grande, não dá a devida importância, cega pelo charme do governador.

Reprodução da nota sobre violência na RMS (Blog do Geddel)

Outro exemplo de que Geddel não revisa direito nem seu pensamento nem seus textos, preferindo piorar um pouco mais o que já está ruim, vem da nota Bahia perde visitantes para outros estados do NE. O ex-ministro começa se desmentindo já no primeiro parágrafo: “A Bahia atrai milhares de visitantes todos os anos. No primeiro semestre de 2011, o aeroporto de Salvador teve um aumento de 16% no fluxo de passageiros, em comparação com o mesmo período de 2010.”

Porém, como a tarefa é mostrar um quadro ruim, Geddel prossegue e cita o abandono do Pelourinho como a razão maior para a fuga dos turistas (esquecendo que ele mesmo afirma que este ano já vieram mais turistas que no ano passado – e ainda nem chegou o verão): “A fama ruim de um dos maiores símbolos da cultura baiana é tão grande que muitos têm preferido conhecer outras cidades nordestinas do que se aventurar em área dominada pela bandidagem. Bom para os estados vizinhos, péssimo para a Bahia”. Onde estão os números que avalizam a informação?

Depois de ler aqui vá no Blog do Geddel e leia tudo o que “ele escreveu”. Você vai concordar com muita coisa. Eu mesmo concordo que é irritante e inexplicável a pouca ação do governo do estado em relação a algumas das deficiências e problemas da nossa capital, mas você verá que o ex-ministro critica sem apontar dados e quando os cita ele mesmo desmente ou se confunde. Isso Geddel faz há muito tempo. Eu acho que não o ajuda muito se seu plano for voltar a disputar o cargo máximo da política estadual. Um político que deseja ser governador pode até ser prolífico, escrever muito na madrugada e ainda cuidar de responsabilidades homéricas como vice-presidente de uma grande instituição como a Caixa, mas deve ser mais cuidadoso nas suas afirmações para não parecer que é mera politiquice.

O link para o blog do Geddel é este http://www.blogdogeddel.com.br/

(Postado originalmente em http://blogdegiorlandolima.wordpress.com/)





Aguirre e a cólera dos deuses

10 02 2011

É comum ouvir “pessoas comuns” afirmarem que jornalistas se sentem os reis da cocada preta. Dizem as más línguas que se jornalista pudesse se fazer de polícia sairia por aí prendendo gente por desacato à autoridade. Há muitos jornalistas (muitos mesmo) que não suportam ser contrariados e, embora não se fale mais isso com a freqüência de antes, a maioria ainda acha que é o quarto poder.

As reações à demissão do competente jornalista Aguirre Peixoto ajuda a ver que ainda há jornalistas que se sentem e agem como se fossem a ouvidoria da humanidade; continua em voga para muita gente que a categoria que faz a imprensa é imune às regras que são comuns a outros mortais. Com ou contra a virtuosa imprensa, leia-se jornalistas – não pode.

Não conheço pessoalmente o jornalista Aguirre Peixoto, mas acompanhei seu trabalho e acho que, se fossem minhas aquelas pautas, as faria do mesmo jeito, embora sem aquele brilhante texto. Sou dos que creem que a empresa o demitiu injustamente, porque quase sempre é assim: o interesse do patrão se sobrepondo rudemente ao interesse e às necessidades pessoais do empregado.

Muitos já foram demitidos de A Tarde e de outras empresas. Algumas dessas demissões carregadas de injustiça e até crueldade. Conheço casos recentes e antigos, mas poucos permitiram qualquer teoria conspiratória e nem os atingidos se consideraram Davis precisando derrubar Golias.  Pois é isso o que está me parecendo a reação, especialmente de jornalistas e intelectuais da capital, contra o jornal que, durante muitos anos, foi a única alternativa de confronto a um esquema em que um único político era dono ou controlava todos os meios de comunicação da Bahia.

História de A Tarde é atenuante

A Tarde fez enfrentamentos dos quais devem se lembrar – mesmo que não reconheçam – os mais empedernidos entre aqueles que, eventualmente, hoje combatam o jornal/a empresa pela afronta cometida contra a categoria, ao demitir Aguirre. A história de A Tarde é atenuante. A Tarde não é apenas um patrimônio da nossa cultura e da história da imprensa baiana, é um suporte para o combalido mercado e é – e será durante muito tempo – abrigo para novos jornalistas e fonte de emprego e renda para muitos profissionais.

Li o artigo de Armando Avena que tratou do episódio em termos parecidos com o que fiz no parágrafo anterior e, por sensatez e no exercício do meu direito de manifestação, concordo em essência com ele. Insisto que não concordaria jamais com a demissão de Aguirre nos termos e pela razão tornada pública, ou seja, sem qualquer razão justificável, ao contrário, por um motivo condenável.

Não conheço Bocayuva, nunca vi Renato Simões além de fotos e imagino que para o atual Sylvio Simões o jornal, diante das vicissitudes que enfrenta, tenha se tornado maior que o jornalismo que um dia ele defendeu como jornalista e homem chegado à esquerda. Não defendo os donos de A Tarde e acho espúrio o que fizeram – o seria quem quer que fosse o demitido e em qualquer empresa – e, embora possa não parecer, eu defenderia Aguirre se de mim ele precisasse. Só acho que tudo isso, ainda que grave pelo que comporta de política e ética, está tendo uma reação desproporcional.

Demissão de Aguirre...Demissão de Aguirre...Demissão de Aguirre...
Demissão de Aguirre…
... defendida por Sylvio Simões...... defendida por Sylvio Simões...... defendida por Sylvio Simões...
… defendida por Sylvio Simões…

… coloca credibilidade do centenário A Tarde no front.

Debate importante, episódio pontual

Ok. O sindicato ganhou uma chance de reviver o romantismo das negociações e de se rever importante como defensor da categoria e dos princípios do bom jornalismo; os jornalistas ganham uma oportunidade de obrigar a empresa a rever este e outros pontos de sua relação e nós outros, abrigados e alimentados pelas chamadas redes sociais, notadamente o Twitter, somos beneficiados por um bom debate e passamos a conhecer mais dessa poderosa mídia, das relações que a regem e de personagens de quem antes não sabíamos quase nada.

Mas, para mim, vendo de longe, apenas pelo que é permitido aos comuns do mundo aqui de fora saberem, o episódio é pontual e há, também, muito oportunismo – inclusive meu. Parece que todo jornalista “correto”, intelectuais, esquerdistas e nem tanto, aproveitam para protestar, questionando com virulência a credibilidade de A Tarde, que “cedeu à força das empresas da construção civil”, comentadas, batidas e tratadas por outros articulistas, como um monstro voraz que avança sobre a cidade sem respeito ao meio ambiente, aos seres humanos e à primária expressão da verdade contida, por exemplo, em matérias escritas por Aguirre Peixoto.

Se não bastasse ter sido mesmo feio e, digamos, tirânico o gesto da direção de A Tarde, protestar agora é cool, cult e dá cor e tom progressistas às manifestações solidárias, especialmente na grande rede. Quem for ler os protestos vai pensar que há apenas uma alternativa à recontratação do jornalista: acabar com o “império do mal” em que se transformou A Tarde, “apenas o segundo lugar no IVC”, “que vem perdendo anunciantes e receitas”, “que tem três sócios divergindo”, “que representa o pensamento conservador de uma família burguesa da Bahia”, etc. e que por isso, desesperado, cedeu ao charme da Salomé que seria o mercado da construção civil de Salvador – ou algumas empresas deste – e entregou na bandeja a cabeça do jornalista.

Não precisaria mesmo de maior motivo para ressuscitar o sindicalismo de protesto e fazer aflorar nos bons e jovens jornalistas da redação o instinto de defesa da liberdade de expressão e da boa imprensa – além de prevenir contra o corte de suas próprias cabeças no futuro, posto que parece ter passado a ser a regra naquele jornal a limitação do trabalho do jornalista em suas apurações, para que não contrarie os anunciantes e os donos. Pelo menos é o que posso entender do que está escrito por aí.

Toda a manifestação dos jornalistas é legítima. A solidariedade a Aguirre, naquilo que contiver de sinceridade e não apenas fachada e oportunismo, é mais que justa e obrigatória aos de bom-senso. Como é sensato e politicamente certo reclamar da punição excessiva a um profissional que apenas fez o seu trabalho de contar os fatos expondo a verdade contida neles. Mas, A Tarde nunca foi, não é e certamente não será somente isso. O próprio Aguirre sabe disso. E, se não souber ou não acreditar, como voltará ao emprego se for essa a reivindicação sindical, dos colegas e sua própria? Que pautas aceitará fazer? E o jornal, a empresa, em sendo verdade que não concordou com o produzido, vai lhe ditar como fazer nas próximas vezes para evitar que a tragédia se repita?

A questão é: como será no futuro?

Os dois lados vão abrir mão da arrogância? Os donos do jornal entenderão que jornalismo é apuração, denúncia e posicionamento critico e não balcão de negócios? E os jornalistas que fizeram uma carta aberta vão entender que não são os donos da verdade sempre e que atacar a Tribuna da Bahia em seu documento, como fizeram, é tão vil quanto os donos de A Tarde fizeram com Aguirre? Ou acham que o Correio da Bahia – hoje muito melhor em estilo, design e até conteúdo que A Tarde –, a Rede Bahia de Comunicação e as empresas de rádio comportam todo esse contingente de jornalistas do mercado da capital se a pequena e lutadora Tribuna e o histórico e ainda vigoroso A Tarde sucumbirem à caça às bruxas? Ser valente é bonito, ser corajoso é bom, ser sensato é compulsório.

Concordo com a jornalista Cíntia Kelly, que afirmou em seu twitter que não se trata apenas de uma discussão sobre a demissão de um repórter, mas do futuro do jornalismo que se pretende fazer. Vale não apenas para A Tarde. O modo de encarar denúncias pela imprensa na Bahia, mais notadamente aqui em Salvador, parece depender da “credibilidade” do denunciante; e há denúncias e denunciados com privilégios diferentes. Há mais sobre o que pensar, investigar, questionar, falar e escrever da área governamental, política, empresarial, policial, social, esportiva, etc.

Para mim, na condição de cidadão leitor-ouvinte-espectador, tem faltado coerência, constância e profundidade na cobertura e tratamento da mídia aos problemas do nosso estado e da nossa capital. Isso é mais que a demissão de um bom, simpático e competente jornalista de boa família e mais que a prisão de um picareta estelionatário que mexe na mesma seara, embora por motivação diferente e, esta sim, condenável. Talvez seja a hora de rever os motivos que acendem a nossa indignação, que provocam a ira de profissionais que, aqui e ali, se sentem deuses.

E encerro aqui, sabendo que muitos se voltarão contra mim. Aguardo os duros adjetivos e as comparações que me coloquem no meu devido lugar ou, quem sabe, ser condenado por desacato à autoridade. Mas, é o que penso e deu vontade de escrever. Puro oportunismo, mas, por que eu, logo eu, um polemista, me calaria?

(Artigo publicado originalmente no Blog de Giorlando Lima)

——-

* Escrevi como cidadão e blogueiro. Não reivindico igualdade com os bons jornalistas, embora esteja labutando nesta área há longos 33 anos, no espaço que me coube. O blog publicará todos os comentários, se ocorrerem, desde que não atinjam a honra de qualquer pessoa, principalmente a minha, óbvio. Se réplicas apontarem falhas no meu raciocínio ou mostrarem que eu cometo erro de julgamento ou coisa que o valha, não me constrangerei em fazer correções e assumir os erros comprovados. Pretendo ser um cidadão correto e um ser humano em evolução sempre. Obrigado.





Eu não votei em Lídice para ministra. Parlamentar é parlamentar; secretário ou ministro é outra coisa

27 11 2010

Quando o cidadão vota em alguém para deputado ou senador o faz pensando no que o candidato escolhido vai fazer por ele no parlamento, na Assembléia, Câmara ou Senado. Ninguém – ou apenas uma diminuta minoria – pensa que o seu escolhido vai virar secretário ou ministro. Mas, eis que, eleitos, alguns dos personagens privilegiados com o voto dos eleitores para representá-los no parlamento começam a trabalhar – ou são trabalhados – para representar o partido no governo.

No Brasil é assim. Eis que estamos, neste momento, acompanhando uma movimentação nesse sentido. Diz-se que o governador Jaques Wagner – muito forte com Lula – também será um nome forte durante e por dentro do governo Dilma. Falava-se, logo após a eleição dele e, pouco depois, da presidente, que Wagner poderia indicar dois secretários. Vários nomes foram mencionados, entre os quais o da secretária da Casa Civil, a competentíssima Eva Chiavon, e um segundo qualquer – podendo ser qualquer um, menos Wagner e Otto Alencar, por óbvias razões.

A verdade, até aqui, no entanto, é que nenhum nome ligado ao governador Jaques Wagner tem aparecido nas inúmeras listas divulgadas pela grande imprensa, especialista em Brasília. Isso não se dá porque não estejam sendo falados ou discutidos os nomes que Wagner indicaria, mas por conta do estilo do próprio governador da Bahia, que não se apavoneia e nem canta vitórias antes da hora, principalmente, nesta delicada seara da política nacional.

Jaques Wagner não tem apenas sua força para recomendar nomes para o governo de Dilma Roussef, ele tem a procuração da Bahia, de um imenso eleitorado que foi fundamental para a eleição da presidente. Wagner é responsável e comprometido com a Bahia e sabe o que significa para o estado ter um ou dois ministros no futuro governo.

Mas, será que o PT, o caderno de nomes do governador e a própria Bahia estão assim tão desprovidos de talento que precisaremos tirar deputados ou senadores da missão para o qual foram eleitos porque precisam assumir ministérios? Qual a lógica? O PSB, que é “dono” do ministério do Turismo, que porque quer Lidice na pasta? E por que Lídice? Nós a elegemos senadora, para nos representar no Senado. Por que não chamam Domingos Leonelli? Ele não foi eleito deputado foi secretário estadual do Turismo e pode muito bem ser o nome do PSB e um dos nomes da Bahia no ministério de Dilma.

O quê? Ele é homem e Dilma quer uma mulher à frente da pasta? E a coisa se define pelo gênero agora? Não vi nada tão machista.

Lidice foi a primeira mulher eleita senadora da Bahia (Foto A Tarde)

Mas, enfim, eu não quero que o suplente de Lidice seja senador. Eu votei nela. A propaganda eleitoral me convenceu de que ELA SERIA UMA BOA SENADORA, necessária para a Bahia. Se não há outros nomes, vamos digerir essa vergonha. Ou o PSB e o governador Wagner que se virem, pois não são quadrados. A Bahia não é essa pobreza de quadros que parece.

Eu repito: protesto veementemente contra a retirada de parlamentares para cargos executivos. A senadora eleita Lídice da Mata é personagem deste artigo apenas porque está na pauta. Mas, vale para qualquer um: parlamentar é parlamentar, governo é governo. Vamos tomar prumo.





Briga de família na justiça vira campanha contra César Borges

23 09 2010

Um e-mail pessoal é a mais nova “peça” desta campanha eleitoral. O alvo é o senador baiano César Borges, candidato à reeleição. Trata-se de uma carta escrita pelo ex-marido da atual esposa do senador, o funcionário da Embasa Alberto Oliveira.

O missivista se queixa de que o senador e sua ex-mulher insistem em que ele pague pensão a uma filha maior de idade – e já empresária, segundo consta da carta – que vem sendo criada no seio da família Borges, tendo, inclusive acrescentado ao seu nome o sobrenome do senador jequieense.

A carta está sendo repassada pelos amigos de Alberto Oliveira a pedido deste, com o objetivo de mostrar a “injustiça” que cometem contra ele o senador e a mulher (aliás, suplente de César na chapa ao Senado). Não conhecemos o autor da carta, mas uma pessoa a enviou para um e-mail particular do editor do blog, certamente de modo automático e, com toda certeza, o intuito não é obter a nossa solidariedade ao autor das queixas. O objetivo, claramente, é acertar o senador.

Leia os principais trechos da carta que está chegando a milhares de caixas postais eletrônicas da Bahia e faça você mesmo o seu julgamento. (Apesar da facilidade de identificação dos personagens, só serão mantidos os nomes do autor da carta, Alberto Oliveira e dois dois candidatos, César e Tércia Borges. Os demais nomes serão suprimidos ou substituídos por letras):

“Amigos meus,

Gostaria que lessem com atenção e divulgassem para a maior quantidade de pessoas possível.

Muitos já acompanham há tempos minha situação de conflito com Tércia Borges com quem convivi por quase sete anos, relacionamento que gerou nossa filha A.. Ao longo desses 19 anos de separação, venho pagando Pensão Alimentícia (…)

Devido ao nascimento de B. no ano passado, fruto do meu casamento com C., companheira de mais de treze anos, ponderei com (…) para possível redução da Pensão, já que ela tinha alcançado a maior idade(18) há dois anos e (…) não precisava de tanto atualmente para sua sobrevivência, enquanto que esses valores eram, e são, muito importantes para a minha.

Sempre alegando que a mãe era contrária a qualquer alteração no valor da pensão, não houve acordo (…)

Ao abrir uma loja (…) A. alcançou sua independência e emancipação, pelo Código Civil Brasileiro, não fazendo mais jus à Pensão Alimentícia.

Para agravar a situação, minha esposa C. fora exonerada do cargo que ocupava (…)

Tudo isso contribuiu para gerar o pedido de exoneração de pensão, o qual foi deferido em 05 de maio deste ano pela Juíza da 14ª vara de família, (…) enfatizando tratar-se de ‘provas inequívocas’ para justificar a ‘antecipação de tutela’ e a ‘suspensão imediata do pagamento dos proventos’. Decidido e publicado, a EMBASA, onde trabalho, acatou.

O ‘Trio dos Necessitados’ – César Borges, Tércia Borges e A. não se deu por vencido e entrou com um “agravo”, pedindo a suspensão da sentença anterior, através dos seus velhos amigos advogados da separação judicial, ex-ocupantes de cargos do primeiro escalão do governo César Borges.

O Senador, além de seguir a cartilha do seu criador e mentor político, já falecido, acreditando ainda influenciar decisões em todas as esferas do poder, não percebe, ou talvez se esqueça (…) que os tempos são outros. A Sociedade e a Justiça mudaram. E para melhor.

Os argumentos desse instrumento de agravo vão do ridículo ao revoltante:

Diz que é (A.) ‘detentora de 90% do capital social da empresa através de doações e empréstimos realizados por sua genitora e que não recebe pró-labore nem participação nos lucros’. E que ‘…permanece como estudante e sem qualquer rendimento capaz de prover o seu sustento’. (…)

Diz ainda que ‘o suposto desemprego da atual companheira do agravado, assim como o nascimento de mais uma filha somente demonstram falta de planejamento familiar’. Diário Oficial não é suposição e entrar na minha vida mais ainda é ser muito cara de pau.

(…)

A Desembargadora (…) responsável por esse novo julgamento, negou o pedido do ‘Trio; no último dia 02 de setembro, em parte, devolvendo, como ‘agravo retido’ ao processo principal. Ainda há recurso ao ‘pleno’ e pelo histórico da voracidade financeira ‘dos Necessitados’ é isso que vai acontecer.

(…)

Fora a Pensão, objeto desse litígio, porque tudo isso se resume mesmo é em dinheiro, peço, em nome de meu avô D., do meu pai E. e do meu próprio, que se dignem a finalizar o que começaram e retirem definitivamente nosso sobrenome do meio dessa (…). Afinal, o caráter e História do nosso Oliveira exigem respeito.

(…)

Mas a vida continua e ela é bela. A maior prova disso é a minha pequena B.. Obrigado por lerem esse desabafo. Um abraço bem apertado em todos.

Alberto Oliveira”





‘Wagner, na dele, se beneficia do discurso chocho da oposição’. Era março

18 09 2010

Escrevi o post abaixo em março. Previa a estratégia que seria adotada na campanha à releição do governador Jaques Wagner.

Depois de um 2009 em que o governo e o PT bateram boca demasiadamente com Geddel Vieira Lima e o PMDB, a tática passou a ser deixar a propaganda falar. O governo passou a mostrar com mais intensidade – diria que foi bem ostensivo – o que já tinha feito ou fazia, valorizando ao máximo as obras que conseguiu trazer para a Bahia via a parceria com o Governo Federal.

Paulo Souto ficou calado, à exceção de seu comentário na rádio Metrópole (que ele pensava ser suficiente para fazer oposição) e Geddel e o PMDB continuavam falando pelos cotovelos. Atiravam para todos os lados. Hoje, Paulo Souto quer dizer tudo de uma vez na propaganda da TV, só que começou tarde e perdeu o timming – e o efeito. Geddel, por sua vez, fala nos comícios e no twitter e parece ter sido “proibido” de falar muito na TV. Deixou o papel para locutores e para a bela apresentadora, que já torce o lábio (de forma um tanto quanto antipática, uma pena) para falar de Wagner e do governo do PT. Não funcionou. Pelo menos é o que parece, se estão certas as pesquisas.

E Jaques Wagner, como antes, só diz o que interessa – 40, 50 segundos de fala no programa, que é uma reprodução da campanha publicitária feita de dezembro/09 a junho, muito competentemente, pela Leiaute de Sidônio, Carlinhos, Liani e Raul: obras, testemunhos positivos e emocionais e, claro, uma overdose de Lula. Está dando certo.

Releiam o que escrevi e vejam se não ia acabar como está acabando.

Wagner, na dele, se beneficia do discurso chocho da oposição

28 03 2010

Tudo bem que o governador Jaques Wagner acabou sendo um dos vaiados na visita ao Sul da Bahia, onde esteve acompanhando o presidente Lula em inaugurações e lançamentos, mas não é por isso que ele está há dois dias silencioso. Ou, pelo menos, nada se lê de novo dele ou sobre ele na mídia baiana.

Acho que é porque Wagner sabe que quem fala demais dá bom dia a equinos. As pesquisas mostram que ele está bem situado nas intenções de voto e que o seu governo, considerado de médio a fraco há cerca de um ano, agora está de médio a forte, com avaliação positiva.

A estratégia parece ser deixar os outros falarem, darem pistas do que dirão na campanha propriamente dita, daqui a meses.

Uma pena que os discursos da oposição estejam tão chinfrins. Faz com que o debate fique chocho. Está chocho. O governador se aproveita disso. Esperto.