O troca-troca em Conquista

1 10 2009

Troca-troca I

Herzém Gusmão, radialista que disputou a eleição de prefeito em 2008, pelo PSDB, deixou o partido dos tucanos e abrigou-se no PMDB de Geddel e Lúcio, partido onde Coriolano Sales (ex-deputado federal que renunciou forçado pelo escândalo das sanguessugas) se aboletaria em busca de uma eleição que o ressuscitasse politicamente. Mas, o PMDB refugou Cori. Ele faz o quê? Vai para o PSDB que Herzém refugou.

Herzém já foi PDT, PSB, já apoiou o PT, foi PSDB e agora é PMDB.
Coriolano já foi PMDB, PSB, PDT, PFL e agora é PSDB.

Coriolano Sales fez essa trajetória em 30 anos de política. Herzém idem. Porque nem todos são obrigados a saber, mas, Herzém pertenceu a vários partidos, e fez muita política enquanto era radialista. Chegou a ser cogitado para vice de Guilherme ou de Jadiel, se o excelente ex-prefeito se candidatasse de novo; chegou a conversar para fazer dobradinha com o próprio Cori em 1994, e foi cotado ou ofereceu-se para ser candidato a prefeito outras vezes, muito antes de 2008. Porque nada disso se confirmou? Um dia ele fala.
Em 1988, Herzém atacava com enorme virulência o ex-prefeito José Pedral, que exercia o segundo mandato de prefeito de Conquista. Herzém esculhambava Pedral como se precisasse escorraçá-lo da face da Terra, aí, fizeram uma oferta a ele, uma boa grana, e ele passou a fazer parte do palanque de Murilo Mármore, encarregado de anunciar os discursos exatamente de Pedral e do próprio Murilo, com seu vozeirão. Quem contratou Herzém não contratou o animador de comício, ele sabe disso, contratou o radialista, que ficou calado no rádio enquanto gritava no palanque, com Zerenildo e Edivaldo Ferreira: “Com vocês, ele, J. Pedral, Pedral, Pedral”.

Há alguns anos Herzem dizia no rádio, literalmente, que Conquista deveria colocar os joelhos no chão e rezar, agradecendo a Deus por Guilherme, um santo, um anjo, um ídolo. Deus no céu e Guilherme na Terra (isso quando não invertia os papéis). Hoje, Guilherme e o PT são os cães do inferno.

Herzém mudou porque ele se acha Deus. Ou recebeu uma missão, uma mensagem divina. Deve ser isso.

Não diria jamais que Herzém é corrupto ou que rouba. Mas, que é incoerente, isso é. E sempre se moveu pelas ofertas. Sempre foi um profissional, no sentido de saber usar a profissão. Mostra, agora, que sabe ser, também, um profissional da política.

Eu não votarei nele. Nem em Cori.

Troca-troca II

Nos primórdios, Coriolano Sales foi um político correto, aos olhos distantes do eleitor. Trabalhava muito por Conquista e região. Mas, não gosta nem de Deus. É um cara insensível, que só pensava em política e mandato. Nem no poder, mas nos benefícios do mandato, em viajar o mundo por conta do contribuinte. Gostava de ser autoridade. Um anti-social. Ninguém o via em festas, ninguém o via em missas ou cultos. Ninguém o via com a família. Nem Natal Coriolano comemorava.

Um dia, o eleitor viu o que ele fazia escondido. O santo de barro quebrou-se, partiu-se em pedaços. Uma vergonha que o fez renunciar. E, de repente, o cara que preferia viver sozinho, que desconfiava de todo mundo, que se achava o melhor, o mais capaz, o único, ficou isolado, acabrunhado, andando pelas ruas como um zumbi da política, mendigando olhares.

Agora, a arrogância tomou outro tombo. Foi trocado por Herzém. Os dois irmãos gordinhos acham que Coriolano não sai mais do lugar. Nem pediram desculpas, nem disseram obrigado, exatamente como Coriolano sempre agiu.

Mas, Coriolano quer ressuscitar. Eu, como cristão, acho que ele merece uma chance. Mas, ele já pediu desculpas ao povo pelo que fez? Ele já mostrou que merece essa chance que pede? Eu já votei nele, não voltarei a votar, mas, se ele demonstrar que se envergonha da vergonha que causou, poderá voltar a ser deputado, porque isso ele sabia ser, com competência.

A questão é saber como ele se comportará quando lhe propuserem emendas ao Orçamento da União para ambulâncias, quadras poliesportivas, feiras cobertas ou anel viário.

Herzém Gusmão é uma incógnita. Radialista, ele negocia espaço e credibilidade no rádio. Eleito deputado, ele vai negociar o quê? Espero que ele ache importante esclarecer essa questão. Feito isso, poderá ser um deputado, sim. Ele é incoerente politicamente, mas é inteligente, poderá se dar bem lá.

Mas, na comparação, homem por homem, pessoa por pessoa – o incoerente e mercantilista Herzém e o poço de frieza e sanguessuga Coriolano – acho que dá empate.

Ainda bem que existe Mão Branca.