Tinha muita gente estranhando o silêncio a que se submeteu o candidato Paulo Souto logo depois de sua convenção, realizada junto com a do presidenciável José Serra, no dia 12 de junho, em Salvador.
Imaginada como um evento para ajudar Serra na Bahia, por que se julgava que haveria grande repercussão, a própria convenção não cumpriu seu papel . Para começar, apesar de ter acontecido no dia dos namorados os pares não estavam completos. A Paulo Souto faltava um senador e a Serra faltava um vice-presidente.
Hoje, o DEM apresentou o deputado José Carlos Aleluia como segundo candidato a senador da chapa – o primeiro é o ex-prefeito de Feira de Santana José Ronaldo. O DEM deve querer fazer disso uma notícia política de impacto, o que não é. Aleluia tem votos que o elegeriam de novo tem deputado federal, mas não traz nada a mais para Paulo Souto que ele não tivesse. É apenas um nome para compor e resolver um problema interno do DEM. Foi para o sacrifício aqui, como iria se fosse escolhido para vice de Serra. Não deu lá, topou cá. José Ronaldo teria uma grande votação se fosse candidato a deputado federal pois tem enorme força na região de Feira. Mas, fica nisso. É um grande desconhecido na maioria do estado.
Caindo no precipício?
Para o público externo, aquele que interessa, o DEM não tem novidade a apresentar. E ainda tira dois nomes fortes que certamente reforçariam a bancada demista na Câmara de Deputados. Assim, sem querer, o DEM da Bahia pode estar ajudando a colocar uma pá de cal no futuro nacional do partido, que está ameaçado de tornar-se um dos chamados nanicos depois desta eleição. Paulo Souto pode estar sendo levado junto precipício abaixo.
O DEM foi rifado pelo PSDB na escolha do vice do presidenciável José Serra, em alguns lugares bate cabeça sem saber que direção seguir e ainda tem que rezar para que o povo tenha esquecido o “demsalão” protagonizado pelo ex-governo de Brasília, José Roberto Arruda. E Paulo Souto é um dos que mais sofrem com a aguda crise por que passam o seu partido e aquele que seria seu principal aliado.
Nas vésperas da convenção o ex-governador enfrentou uma rebelião dos deputados estaduais que, descontentes com decisão do PSDB de não fazer coligação proporcional, passaram por cima de sua autoridade de presidente do DEM e foram reclamar a uma senadora tucana, Marisa Serrano. O gesto fez o presidente do PSDB da Bahia, deputado Jutahy Júnior bufar de raiva. Paulo Souto, que reclamou na primeira tentativa de motim, na segunda ficou calado.
Paulo Souto, sabe-se, já paquerou e foi paquerado pelo PSDB, mas não mudou-se para lá, segundo consta, por lealdade ao carlismo e a ACM ainda vivo. Não dá para saber se no PSDB teria mais sorte. O certo é que, morto ACM, agonizante o carlismo, agora Paulo Souto arrisca-se a ter o seu tamanho político diminuído numa eleição em que ele sonhou ter chance. A crise dos partidos (PSDB e DEM) que deveriam lhe dar força o fazem definhar eleitoralmente. Uma sombra aterrorizante que escurece o seu caminho até 3 de outubro – e para o futuro.