Ocaso do DEM obscurece futuro político de Paulo Souto

29 06 2010

Tinha muita gente estranhando o silêncio a que se submeteu o candidato Paulo Souto logo depois de sua convenção, realizada junto com a do presidenciável José Serra, no dia 12 de junho, em Salvador.
Imaginada como um evento para ajudar Serra na Bahia, por que se julgava que haveria grande repercussão, a própria convenção não cumpriu seu papel . Para começar, apesar de ter acontecido no dia dos namorados os pares não estavam completos. A Paulo Souto faltava um senador e a Serra faltava um vice-presidente.

Hoje, o DEM apresentou o deputado José Carlos Aleluia como segundo candidato a senador da chapa – o primeiro é o ex-prefeito de Feira de Santana José Ronaldo. O DEM deve querer fazer disso uma notícia política de impacto, o que não é. Aleluia tem votos que o elegeriam de novo tem deputado federal, mas não traz nada a mais para Paulo Souto que ele não tivesse. É apenas um nome para compor e resolver um problema interno do DEM. Foi para o sacrifício aqui, como iria se fosse escolhido para vice de Serra. Não deu lá, topou cá. José Ronaldo teria uma grande votação se fosse candidato a deputado federal pois tem enorme força na região de Feira. Mas, fica nisso. É um grande desconhecido na maioria do estado.

Caindo no precipício?

Para o público externo, aquele que interessa, o DEM não tem novidade a apresentar. E ainda tira dois nomes fortes que certamente reforçariam a bancada demista na Câmara de Deputados. Assim, sem querer, o DEM da Bahia pode estar ajudando a colocar uma pá de cal no futuro nacional do partido, que está ameaçado de tornar-se um dos chamados nanicos depois desta eleição. Paulo Souto pode estar sendo levado junto precipício abaixo.

O DEM foi rifado pelo PSDB na escolha do vice do presidenciável José Serra, em alguns lugares bate cabeça sem saber que direção seguir e ainda tem que rezar para que o povo tenha esquecido o “demsalão” protagonizado pelo ex-governo de Brasília, José Roberto Arruda. E Paulo Souto é um dos que mais sofrem com a aguda crise por que passam o seu partido e aquele que seria seu principal aliado.

Nas vésperas da convenção o ex-governador enfrentou uma rebelião dos deputados estaduais que, descontentes com decisão do PSDB de não fazer coligação proporcional, passaram por cima de sua autoridade de presidente do DEM e foram reclamar a uma senadora tucana, Marisa Serrano. O gesto fez o presidente do PSDB da Bahia, deputado Jutahy Júnior bufar de raiva. Paulo Souto, que reclamou na primeira tentativa de motim, na segunda ficou calado.

Paulo Souto, sabe-se, já paquerou e foi paquerado pelo PSDB, mas não mudou-se para lá, segundo consta, por lealdade ao carlismo e a ACM ainda vivo. Não dá para saber se no PSDB teria mais sorte. O certo é que, morto ACM, agonizante o carlismo, agora Paulo Souto arrisca-se a ter o seu tamanho político diminuído numa eleição em que ele sonhou ter chance. A crise dos partidos (PSDB e DEM) que deveriam lhe dar força o fazem definhar eleitoralmente. Uma sombra aterrorizante que escurece o seu caminho até 3 de outubro – e para o futuro.





Recados de Dilma impactam Geddel, que silencia

28 06 2010

Foi, inquestionavelmente, uma festa gigantesca com público estimado de 6 a 7 mil pessoas, a convenção do PT realizada ontem. A quantidade de gente presente, aliás, levou o PMDB a, mais uma vez, tentar uma de suas polêmicas com o PT. No twitter, assessores de Geddel Vieira Lima provocavam dizendo que a convenção do seu partido atraiu um numero maior de pessoas.

Uma balela. E uma tentativa de consolo. Mas, ainda que fosse verdade, os geddelistas tiveram que absorver os recados de Dilma Roussef.

Depois de comemorar estrondosamente a presença da candidata do PT à presidência da República na sua convenção, Geddel ficou sabendo que Dilma deu dois recados impactantes na reunião do PT que confirmou o governador Jaques Wagner candidato à reeleição.

Primeiro Dilma disse na entrevista coletiva à imprensa que falara com o presidente Lula antes de vir a Salvador e que Lula mandou dizer a Wagner que é para ele não parar de brigar e ganhar a eleição. Para autenticar o recado, Wagner foi tratado como Galego, o apelido pelo qual Lula trata o governador da Bahia, seu amigo pessoal há mais de 20 anos. A mensagem repercutiu forte na mídia.

O Correio da Bahia de hoje trouxe o assunto como matéria de destaque, com a manchete O troco do Galego. Referia-se ao fato de que depois do estardalhaço feito por Geddel comemorando a visita de Dilma a sua convenção, a sua ex-colega de ministério vem de novo à Bahia para deixar claro que o presidente Lula tem uma preferência clara pela reeleição de Jaques Wagner.

Faltava Dilma falar dela mesma, para dar o arremate, a ducha de água fria que Geddel não desejava. Em seu discurso na convenção, depois de longos elogios a Wagner, especialmente pela postura de apoio e solidariedade do governador da Bahia durante os momentos difíceis vividos por Lula no primeiro mandato, Dilma deu o recado que faltava. Disse que ela e Wagner estão no mesmo barco e continuarão nele.

E GEDDEL ACUSA O GOLPE

Em um dos momentos mais emocionantes, a candidata do PT a presidente da República afirmou que ela e Jaques Wagner são irmãos de alma e de projeto político. Mais clara impossível, diante da delicadeza que é o acordo nacional com o PMDB, que prevê “dois palanques” na Bahia. A confirmação da empolgação de Dilma com a convenção de Wagne ela postou no tweeter: “Senti uma energia muito forte na convenção do PT lá em Salvador. Axé, pessoal!”. Nem isso ela fez depois que visitou a reunião do PMDB.

Até agora não houve manifestação de Geddel sobre a vinda de Dilma à convenção do PT. Mas uma postagem do peemedebista – respondendo a um internauta em seu twitter – pode dar uma ideia de como ele foi impactado pelo que disse a ministra na festa de Wagner. “Não menosprezo força de ninguém.Mas vou buscar nas minhas a trilha p vencer eleições e implantar com garra,projeto efetivo pra BA”, escreveu Geddel, no que pode ser interpretado como a mensagem de quem entendeu bem os recados, afinal, ele sabe afinal que Dilma e Wagner são do PT e disputarão a eleição com o mesmo número 13.





Tragédias lembram “republicanismo” às avessas de Geddel

25 06 2010

As chuvas que levam a tragédia aos estados de Alagoas e de Pernambuco trazem de volta à tona um desastre administrativo: Geddel Vieira Lima, ex-ministro da Integração Nacional e candidato do PMDB ao governo da Bahia. Mais uma vez a ONG Contas Abertas mostra que Geddel  deixou de mandar dinheiro para os estados atingidos pelas chuvas. Este ano, Alagoas não recebeu nada e Pernambuco recebeu apenas R$ 172,2 mil do programa de prevenção de desastres do Ministério da Integração Nacional. Geddel foi ministro até abril.

Em socorro ao ex-ministro os assessores do candidato do PMDB se apressam a dizer que Geddel abandonou os outros estados para trazer dinheiro para a Bahia. O próprio Geddel quis usar isso a seu favor na campanha. Mas é apenas uma meia-verdade. Uma conta simples desmente isso: a Bahia tem 417 municípios, Geddel mandou dinheiro para pouco mais da metade, dos quais a imensa maioria administrada pelo PMDB e partidos aliados da sua campanha ao governo do estado, que ficaram com 78% dos recursos repassados pelo Ministério da Integração Nacional.

Dizer que trouxe verbas para a Bahia é pura propaganda enganosa. Trouxe verbas para seus redutos, com claro interesse eleitoral. Enquanto isso, os demais que se lixem. Muito parecido com o que fazia ACM, que investia tudo na região metropolitana, com peso maior em Salvador – deixando o resto do estado praticamente à míngua – e ainda dizia que amava a Bahia. As cidades que eram contra ele sofriam exatamente o contrário. Mas, respeitemos Geddel, ele diz que não aprendeu com o carlismo.





Geddel é acusado de distribuir verbas do ministério por critérios políticos

25 06 2010

PMDB E PARTIDOS ALIADOS DE GEDDEL FICAM COM 78% DAS VERBAS. PREFEITOS RECLAMAM DE PRESSÃO

Privilégio indevido, falta de critérios objetivos. Estas foram as reações da imprensa nacional, do  TCU e de ONGs como o Contas Abertas à farta distribuição de verbas do Ministério da Integração Nacional para municípios baianos administrados pelo PMDB, no período de 2007 a março de 2010 quando o ministro era Geddel Vieira Lima, pré-candidato peemedebista ao governo da Bahia.

Uma reação compreensível, afinal, segundo dados amplamente divulgados Geddel enviou 64,6% de todos os recursos liberados em 2008 e 2009 pelo Ministério da Integração Nacional para municípios baianos. Vistos de perto, os números mostram que as verbas foram direcionadas para municípios administrados por correligionários ou apoiadores de Geddel.

O PMDB, que na Bahia tem 112 prefeituras, ficou com 75% dos R$ 427 milhões liberados pelo Ministério da Integração para o estado entre 2007 e março de 2010. Os 25% restantes foram para 74 municípios administrados por 16 partidos. Outros 280 municípios não receberam um centavo sequer. Na extensa lista estão, por exemplo, Feira de Santana, Itabuna e Barreiras, que somam mais de 1 milhão de habitantes. Do lado do PMDB foram favorecidos municípios como Barro Alto, Lapão e Ibipeba, que juntas não chegam a 54 mil habitantes, mas receberam, somados, R$ 9 milhões.

Quando se juntam aos valores repassados ao PMDB os recursos o que foram enviados a prefeituras administradas por partidos que apóiam o pré-candidato do PMDB o total passa de R$ 334 milhões ou 78% de todo o dinheiro que Geddel enviou para a Bahia quando era ministro.

PRESSÃO POLÍTICA

Prefeitos de vários partidos reclamaram de pressão de Geddel ou de membros do Ministério da Integração que estariam condicionando a liberação de verbas a declarações de apoio ao candidato do PMDB. Segundo o jornal O Globo de 18 de abril, também reproduzido pelo jornal A Tarde, o prefeito de Piripá, Anfrísio Barbosa Rocha, que é do PDT, contou que em troca de verba para obras de pavimentação no município, o ministro pediu que ele gravasse declarações de apoio: ‘Estive no ministério para articular um convênio de calçamento. Só que ele afirmou que só faria se (eu) gravasse uma entrevista dizendo que, a partir daquele momento, estaria apoiando o ministro Geddel para governador da Bahia’.

De acordo com O Globo “em conversas reservadas, outros prefeitos que não integram o grupo de Geddel relataram a prática de barganhar verbas por apoio; ou mesmo a dificuldade de receber repasses”. Dois prefeitos do PT entrevistados pelo jornal de circulação nacional também reclamam de o ex-ministro ter usado métodos pouco ortodoxos para condicionar a liberação de verbas do Ministério da Integração Nacional.

Sempre segundo O Globo, João Paulo de Souza, prefeito de Érico Cardoso, afirmou que os recursos para a construção de três pontes não tinham saído e que uma pessoa do ministério propôs que ele gravasse mensagem de apoio a Geddel. Já José Carlos Cruz Moura, prefeito de Itapetinga, disse a O Globo, “que os recursos para a construção de canais em quatro bairros do município secaram logo que ele venceu as eleições de um peemedebista em 2008. O convênio prevê R$ 6,8 milhões, dos quais R$ 1,6 milhão chegaram”.





Dificuldades para Paulo Souto às portas da convenção

9 06 2010

Neste sábado o DEM baiano faz a sua convenção, no Clube Espanhol, combinada com a do tucano José Serra. O partido prepara uma grande festa, afinal, imaginam que a partir da convenção a candidatura do ex-governador Paulo Souto poderá pegar o embalo e se consolidar no segundo lugar, à frente de Geddel Vieira Lima. Mas Paulo Souto pode chegar ao evento partidário com a cabeça doendo. Tem motivos, pelo menos quatro. Escolha qual o mais chato.

Começa que até agora o ex-governador carlista sequer anunciou a sua chapa de senadores. Noticia-se na mídia que alguns convidados recusaram. Embora seja certo que o DEM terá chapa pronta e anunciada na convenção, talvez na véspera, já é notório que será apenas um nome de composição, sem condição de agregar o que mais interessa – voto. Todos os possíveis nomes estão no entorno do DEM/PSDB, Paulo Souto não conseguiu atrair qualquer liderança fora dos padrões carlistas.

DEPUTADOS PASSAM POR CIMA E JUTAHY DIZ NÃO

A relação com o PSDB, aliás, é o outro problema que vem a seguir. O partido liderado com mão de ferro por Jutahy Magalhães Júnior decidiu que não cederá coligação nas proporcionais e os deputados estaduais do DEM estrilaram. Com Carlos Gaban à frente passaram por cima de Paulo Souto, que antes de pré-candidato ao governo é presidente do DEM na Bahia,  e buscaram diretamente a senadora Marisa Serrano, uma das coordenadoras da campanha de Serra para reclamar.

Reação de Paulo Souto: silêncio. Um silêncio constrangedor, de quem não consegue definir como andarão as coisas na coligação que ele deveria liderar, já que ele é o candidato a governador, aquele que, em tese, dá o palanque ao candidato presidencial dos tucanos. Reação de Jutahy: consta que estrilou com Marisa Serrano, o que ele nega, e se apressou em reafirmar a posição do seu PSDB: não tem coligação nas proporcionais, o DEM que se vire.

ATÉ PMDB SE METE NO PROBLEMA DE SOUTO

Até o outrora bom vizinho se meteu no angu do DEM-PSDB. Com toda cara de quem quer levar vantagem. O PMDB, que nada tem com a história, manda o deputado Luciano Simões dizer que Jutahy foi desleal com Paulo Souto. Manifestação solidária? Pena de Souto? Qual o quê. Estratégia do quanto pior melhor. Mais confusão no consórcio demo-tucano pode significar olhos voltados para Geddel, que ainda está lá atrás com seus 9,5% (igual ao PIB da Bahia). O PMDB pode estar querendo ver o mar pegar fogo para comer peixe frito.

Depois da queda, o coice. Se não bastasse toda essa desgastante polêmica local, um pesadelo maior se avizinha para Paulo Souto. Pode ser que venha por aí um livro-dossiê do jornalista Amaury Ribeiro Júnior que dissecou os negócios de José Serra, a pedido do ex-governador Aécio Neves, segundo a imprensa para contrapor ameaças que o pessoal de Serra teria feito a Aécio, nos tensos momentos que marcaram a discussão sobre a prévia tucana que acabou não ocorrendo.

O livro-dossiê tucano deverá trazer o histórico de negócios e relações de José Serra com Ricardo Sérgio e Gregório Marin Preciado, este último nome um dos compradores da Coelba e várias vezes repetido em ações e processos judiciais envolvendo a questionável doação da Ilha do Urubu por Paulo Souto, no apagar das luzes do seu governo, no fim de 2006, após sua derrota para Jaques Wagner.

Por essas e outras, Paulo Souto não deve estar com aquela cara dos comerciais de TV do DEM. Quem o encontrar por aí certamente o verá carrancudo como sempre foi, agora um pouco mais preocupado.