PMDB E PARTIDOS ALIADOS DE GEDDEL FICAM COM 78% DAS VERBAS. PREFEITOS RECLAMAM DE PRESSÃO
Privilégio indevido, falta de critérios objetivos. Estas foram as reações da imprensa nacional, do TCU e de ONGs como o Contas Abertas à farta distribuição de verbas do Ministério da Integração Nacional para municípios baianos administrados pelo PMDB, no período de 2007 a março de 2010 quando o ministro era Geddel Vieira Lima, pré-candidato peemedebista ao governo da Bahia.
Uma reação compreensível, afinal, segundo dados amplamente divulgados Geddel enviou 64,6% de todos os recursos liberados em 2008 e 2009 pelo Ministério da Integração Nacional para municípios baianos. Vistos de perto, os números mostram que as verbas foram direcionadas para municípios administrados por correligionários ou apoiadores de Geddel.
O PMDB, que na Bahia tem 112 prefeituras, ficou com 75% dos R$ 427 milhões liberados pelo Ministério da Integração para o estado entre 2007 e março de 2010. Os 25% restantes foram para 74 municípios administrados por 16 partidos. Outros 280 municípios não receberam um centavo sequer. Na extensa lista estão, por exemplo, Feira de Santana, Itabuna e Barreiras, que somam mais de 1 milhão de habitantes. Do lado do PMDB foram favorecidos municípios como Barro Alto, Lapão e Ibipeba, que juntas não chegam a 54 mil habitantes, mas receberam, somados, R$ 9 milhões.
Quando se juntam aos valores repassados ao PMDB os recursos o que foram enviados a prefeituras administradas por partidos que apóiam o pré-candidato do PMDB o total passa de R$ 334 milhões ou 78% de todo o dinheiro que Geddel enviou para a Bahia quando era ministro.
PRESSÃO POLÍTICA
Prefeitos de vários partidos reclamaram de pressão de Geddel ou de membros do Ministério da Integração que estariam condicionando a liberação de verbas a declarações de apoio ao candidato do PMDB. Segundo o jornal O Globo de 18 de abril, também reproduzido pelo jornal A Tarde, o prefeito de Piripá, Anfrísio Barbosa Rocha, que é do PDT, contou que em troca de verba para obras de pavimentação no município, o ministro pediu que ele gravasse declarações de apoio: ‘Estive no ministério para articular um convênio de calçamento. Só que ele afirmou que só faria se (eu) gravasse uma entrevista dizendo que, a partir daquele momento, estaria apoiando o ministro Geddel para governador da Bahia’.
De acordo com O Globo “em conversas reservadas, outros prefeitos que não integram o grupo de Geddel relataram a prática de barganhar verbas por apoio; ou mesmo a dificuldade de receber repasses”. Dois prefeitos do PT entrevistados pelo jornal de circulação nacional também reclamam de o ex-ministro ter usado métodos pouco ortodoxos para condicionar a liberação de verbas do Ministério da Integração Nacional.
Sempre segundo O Globo, João Paulo de Souza, prefeito de Érico Cardoso, afirmou que os recursos para a construção de três pontes não tinham saído e que uma pessoa do ministério propôs que ele gravasse mensagem de apoio a Geddel. Já José Carlos Cruz Moura, prefeito de Itapetinga, disse a O Globo, “que os recursos para a construção de canais em quatro bairros do município secaram logo que ele venceu as eleições de um peemedebista em 2008. O convênio prevê R$ 6,8 milhões, dos quais R$ 1,6 milhão chegaram”.