Duas das coisas mais atrasadas nas campanhas eleitorais do Brasil são a pintura de muros e a propaganda em carros de som. Só servem para poluir. Pode até ser no interior, bem para dentro do estado, um carro de propaganda rodando com uma música de candidato e uma mensagem curta, em volume de som aceitável, pode ter alguma aceitação.
Mas, nas cidades maiores e na capital é só poluição. São muitos carros: de deputados, de candidatos a governador, de puxa-saco… Músicas ruins, textos pobres e som alto. No subúrbio eles abusam. Passa um atrás do outro. Eu quero é ver quem consegue fixar uma mensagem. A cabeça do eleitor fica um barulho só. Mas, pelo menos carro de propaganda gera ocupação, emprego temporário como dizem, que perdura por toda a eleição. Tem muito pai de família que sustenta a casa com isso. E pode ter música, jingle, peças de publicidade.
Mas, a propaganda nos muros, essa é inexplicável ainda existir. O tal do emprego temporário é ainda mais passageiro. E não tem vaga para muita gente, não. Uma dúzia de pintores ganha algum para poluir as cidades cada dia mais sujas, mais feias. Os muros pichados – chamar de pintura é exceder na boa vontade – são tratados como propaganda de primeira. Tem candidato que os disputa a tapa. No interior já teve tiroteio por causa de muro.
Aqui em Salvador dois momentos: na semana passada apareceram muros da campanha do PT pintados sem o nome da candidato ao Senado, Lídice da Mata. Foi o maior panavueiro. O governador Jaques Wagner estava na África do Sul, ao lado do presidente Lula no lançamento da Copa 2014 no Brasil e lá teria recebido vários telefonemas. Uns desesperados, nervosos, outros ameaçadores, igualmente nervosos. Uns acusavam, outros se desculpavam.
A chateação por causa dos muros do PT pintados sem o nome de Lídice era tamanha que os blogs e jornais divulgaram que a candidata a senadora do PSB (número 400) desistiria da postulação e da campanha se o governador não chamasse os petistas para uma conversa séria e o “grave erro” fosse logo consertado. E foi o que ocorreu. Wagner chegou e botou ordem na casa. O ônus ficou todo para Pinheiro (numero 130) e seu grupo de “pintores” de muro.
Agora, ânimos serenados dos lados do PT e de Wagner, eis que o deputado ACM Neto, candidato à reeleição (numero 2526) usa o twitter – sempre esse twitter – para reclamar que Geddel Vieira Lima, candidato a governador do PMDB, havia pintado sobre os muros dele. Foi um recado duro e direto, o de Neto: “Coisa feia. Geddel pinta muro sem autorização e passa por cima dos adversários. E dos aliados tb”.
Sentindo o golpe forte, Geddel deu a sua resposta no twitter com ironia e no tom que lhe é peculiar. Disse que se ACM Neto estava tendo que pintar muros ele ficava preocupado com a eleição do neto de Antonio Carlos Magalhães. E prometia corrigir se o erro fosse da campanha dele. (@geddel_ @acmneto Meu caro,se você estiver pintando muros pra sua campanha passo a me preocupar c/ sua eleição.Se na minha alguem errou vai corrigir). Uma resposta mais dura, sem dúvida. Um chute na canela.
Tudo isso (o calundu de Lidice e a “briga” de ACM Neto e Geddel) por causa de uma propaganda horrorosa, ineficaz, que logo se mistura às demais e ninguém mais vai ler ou separar o que ler, e cujo resultado final é só e só e só, poluição da cidade, já feia.
Pintura de muro deveria ser proibida, como o outdoor. É uma coisa errada e atrasada. Os publicitários criam uma marca, escolhem fonte e vira tudo um aglomerado de letra mal desenhadas, numa bizarrice de dar dor. Um desperdício da criatividade dos publicitários. Deveria ser proibida independente ser estar em propriedade provada ou não. Ou pelo menos controlada. Não vale mais a regra dos 4 metros quadrados? Ou podem ser 4 metros quadrados de cada membro da chapa? A pintura de nomes e números de candidatos em muros não é marketing, não é propaganda, é esculhambação.



É, concordo. Candidato que suja a cidade tentando se eleger a qualquer custo, não joga”limpo”.
Cá em Minas temos tidos bons exemplos de pequenas cidades no interior, como Ouro Branco, em que os candidatos não mais pintam os muros. Espalham aqueles banners, às vezes ridículos, sem formatação, mas ainda são menos piores que os muros pichados.
Legal ter um comentário de um mineiro no meu blog. Bem-vindo. Sei que há alguns aspectos em que as coisas aí em MG funcionam melhor que aqui, é bom saber que na campanha eleitoral também. Um abraço.
a fome de muita gente neste PAÍS , a fome de muita gente por votos, muitos deles se perdem pela ganancia pela falta de respeito, ambiciosos desqualificados sem estrutura de vida , é tudo muito triste.Podemos dizer ,é um momento do grande rolo comprenssor.
Por se tratar de campanha eleitoral, os candidatos precisam aproveitar o máximo de espaços disponíveis e autorizados permitidos por lei.
Entretanto deveriam fazê-lo de forma a não agredir visualmente o meio ambiente, uma boa solução são banners, com paisagens suaves e que harmonizem com o local que estão fixados, sendo assim, ainda que poluam a cidade com propagandas eleitorais, o fazem de forma ética e respeitosa aos eleitores.
Na própria campanha já é possível vêr claramente e distinguir quem repeita os eleitores, de quem só quer os seus votos.
Edie, muito obrigado pela visita. Concordo com você. Os candidatos deveriam buscar fazer sua publicidade com o máximo de respeito e harmonia com o meio ambiente, considerando que poluição visual também interfere na qualidade de vida das pessoas.