Uma pessoa que admiro e prezo, embora com ela tenha tido poucos contatos pessoais, repassou ao meu e-mail uma carta aberta que seria da autoria do deputado federal do DEM, José Carlos Aleluia, um dos últimos colocados na disputado ao Senado. Respeito a preferência dela (é uma mulher), mas me dei ao direito de responder, considerando que quando alguém faz contato com você está autorizando uma resposta, mesmo que não seja aquiescendo com o tema/proposta.

Reproduzo o texto abaixo. Fiz alguns reparos, que não alteram a essência e o sentido do original. O nome da pessoa que me enviou a carta-apelo de Aleluia vai ser trocado por ‘amiga’.

Amiga:

Pelo pouco que a conheço, abro e leio sem temor qualquer coisa que você me envie. Sou dos que a admiram.

Entretanto, não concordo com José Carlos Aleluia e nem com o teor desta carta-apelo. Acho ridículo ele fazer análise da história da esquerda tendo amado e defendido políticos e políticas – direitistas, na pior acepção do termo – que nunca significaram avanço no Brasil ou na Bahia. Acho Aleluia uma fraude maior que a esquerda que ele ataca agora e que sempre atacou, escolhendo ele mesmo um lado. Não sou maniqueista e mais que qualquer um sei o que significa sofrer com estigmas, mas Aleluia tem lado político e um lado que a história mostrou não ter sido bom para o Brasil nem para a Bahia.

Essa carta de Aleluia é um mero discurso. Ele embarcou numa barca furada, vai perder a voz, a posição que desfrutava na política nacional e joga seu último apelo, algo como: Somos todos iguais, não aceito essa divisão entre ‘bons’ e ‘maus’; se eles são bons eu também sou, se sou mau eles também são.

Claro que não se trata de bons ou ruins, mocinhos ou bandidos, mas, sim, de lado errado certo ou errado. O lado dele é o do atraso e da complacência com aquilo que sofremos para combater, independente de Lula ou de Wagner.

Este momento não mais comporta políticos como Aleluia, pseudo-intelectuais que posam de exceções morais, com uma palmatória na mão, como se fossem donos da verdade do mundo, mas que não hesitam – no caso dele, especificamente – a fazer um site onde o baixo nível e os ataques pessoais, especialmente ao presidente, resvalam na sarjeta, à altura do meio-fio.

É o que penso. E só exponho a você porque você me enviou um e-mail que me determinou a dar essa resposta. Espero que não considere o conteúdo ofensivo a você e nem me prive de bons temas e boas novidades quando você as tiver e quiser compartilhar por e-mail.

Abraço.

Giorlando Lima