Propaganda Eleitoral na TV/Bahia: uma (simples) leitura

1 09 2010

Propaganda de Paulo Souto parece estar começando de novo

Há algum tempo comentei sobre um comercial que Paulo Souto fez para a propaganda partidária (aquela a que os partidos têm direito anualmente) e critiquei a fala do tipo “acordei agora e vi que a Bahia sofre… meu coração me diz que… meu sonho é ver…”, falada como se ele não tivesse sido o governador do estado por duas vezes e só agora via, “depois de percorrer a Bahia inteira”, que as pessoas estão precisam do governo. Era um Paulo Souto diferente, mas que poderia ter prosseguido.

Quando a propaganda eleitoral na TV veio aí o pessoal do marketing tentou dar seguimento ao formato: candidato em externa, falando com as pessoas, ancorando suas propostas, falando do que via/vê de ruim pela Bahia afora. Fazendo um comparativo, embora quase sempre indireto, de modo mais subjetivo. Acho que não tem dado certo. Seria difícil dar.

Comparativo é sempre mais vantajoso para quem fez divulgação recentemente ou para quem fez mais, teve mais obra. O pessoal de Paulo Souto não pode esquecer que o eleitor soma os muitos anos em que ele esteve no poder, individualmente ou em grupo. Água por água, a propaganda da atual administração do estado é mais recente, tem melhor recall que a dele. Talvez o correto seria partir para o contraponto direto: 1 por 1; 2 por 2.

E precisa fugir das “forçações” de barra. Emoção não é apelação. Um exemplo: Fonte Nova, apelativa demais a peça apresentada no programa do dia 27/08. Poderia abordar a questão por outro ângulo, – custos do novo estádio, o caso das mortes que marcaram… Os marqueteiros de Paulo Souto não viram a reação à demolição? Foi aprovada, claramente. Criticar remete à ideia de que é contra fazer o novo estádio e trazer a Copa.

A fala do candidato tem sido burocrática, apesar das suas aparições em externa. Mas, quando ele fala olhando para o vídeo passa a carecer de mais emoção, menos linearidade.

Muita boa a direção da atriz-apresentadora, ela mesma bonita e muito simpática. Pena que curta a sua aparição.

O programa que foi veiculado na segunda (29) à noite poderia ser o primeiro da campanha. Uma fala do candidato norteando o eixo estratégico de sua campanha, dizendo às pessoas o que ele pensa. Mas, ainda assim, a fala é dura e cheia de frases de efeito claramente falsas: “coração batendo mais forte” é um pouco demais. Mas, é um caminho e até um tom. Só faltaram imagens. Acho que a fala do candidato poderia ser coberta em alguns trechos com imagens do que ele falava. Daria mais contundência, seriedade e emoção e ainda tiraria aquele ar carrancudo que, não se enganem marqueteiros, cansa o telespectador.

Estar preocupado não é o mesmo que estar com raiva, que também é indiferente da indignação. Paulo Souto (às vezes) fala com uma expressão facial como se estivesse com raiva. (Mas isso se repara). Acredito que é um bom caminho, o jeito e a linha adotados. O questionamento, feito pelo candidato também como baiano, como cidadão. Pode até pontuar com alguns pequenos mea culpa. Ou algumas menções ao que fez. “Eu sei que você poderia perguntar: mas por que não fez? Não fiz porque faltou tempo. Entre 2003 e 2006, quando fui governador fizemos muitos projetos que estavam em andamento e que vamos retomar agora. Também não tivemos o mesmo apoio que o atual governador teve do presidente. Você lembra que havia uma briga, uma divergência muito grande do PT com o ex-senador Antonio Carlos Magalhães e com isso o nosso governo não teve o apoio que buscou e a mais prejudicada com isso foi a Bahia, a nossa população”.

Mas, aí, tem que falar que a nova presidente já disse que vai governar com todos os governadores, não vai discriminar ninguém. É preciso ter a coragem de dar créditos a Lula pelo sucesso de Wagner, é preciso admitir que Dilma pode vencer, ainda que fale dela e de Serra ao mesmo tempo: “Os dois candidatos com mais chance de vencer a eleição, o nosso José Serra e a Dilma, já garantiram que vão governar para todos, sem discriminação, etc.”

E abrir o cenho. Deixar mais a bonita e competente apresentadora falar das coisas, cabendo ao candidato ter conversas “intimistas” com o telespectador, falar com sinceridade de futuro, do que pode dar certo, dos sonhos, mas sem forçar a barra com frases de efeito. Paulo Souto já foi um bom radialista, não precisa ser âncora de TV para melhorar nas pesquisas. Deixa as pessoas falarem elas mesmas.

De resto, os programas estão bem produzidos. Entendi que o objetivo é resgatar a imagem de Paulo Souto como governador, que fez muita coisa. O programa de sexta (27/08) à noite foi legal (exceção da peça da Fonte Nova), mas faltou política, posicionamento do candidato, falas mais enfáticas do que vê, sabe e o que pensa do presente e do futuro. Acho que do ponto de vista da critica está murcho. Não precisa partir para a “porrada”, mas pode ser mais contundente um pouco, especialmente nas áreas em que o DEM tiver mais segurança, mais conquistas, porque é preciso ter credibilidade.

Geddel tem mais equívocos. Ainda precisa achar o caminho.

Conheço a apresentadora do programa de TV de Geddel. Já trabalhei com ela duas vezes. É muito simpática e competente. Mas, o tom duro e sempre critico do programa a está deixando antipática, sua participação tem sido vista como agressiva, embora não o seja tanto assim.

Não é apenas este o equívoco da propaganda de Geddel na TV (falo apenas dos programas em rede). Acho ainda mais grave eles terem decidido questionar as obras que o governador Jaques Wagner anuncia como suas e que seriam do governo federal, enquanto mostram Geddel ministro como sendo tocador de obras do… governo federal. Ora, Geddel é menos autor ainda das obras que anuncia do que Wagner, considerando a crítica do PMDB.

Se as obras do Governo Federal que Wagner assina – sempre ressaltando a parceria – devem ser questionadas porque as que Geddel diz que fez não o seriam? O eleitor não é bôbo. Alguns podem até levar mais tempo para formar um raciocínio, mas sendo o programa do PMDB tão didático eles acabam aprendendo.

A participação do candidato no programa é o que há de menos interessante no programa da TV do PMDB. Geddel aparece pouco, apenas para criticar ou fazer promessa. Não vi uma fala dele em que ele tenta cativar o eleitor, ganhar a sua confiança, sua intimidade. Geddel até sorri, mas não conversa como deveria. Ele fala bem, tem boa dicção, mas isso está sendo mal aproveitado.

O enquadramento é ótimo, mostra que eles têm um bom diretor, mas a fala é ruim. “Eu tenho absoluta certeza de que no nosso governo nós vamos ser capazes de fazer com que a saúde se interiorize”. Horrível, tempo perdido, tucanismo puro (no sentido dado por Macaco Simão). Por que não dizer: “VOCÊ pode ter certeza de que no meu governo a saúde vai funcionar bem na Bahia toda?”.

Na hora que o programa do PMDB mostra o crescimento da campanha no estado, com imagens que deveriam mostrar gente, multidão, eles editam com mais imagens de Geddel sozinho do que de povo. Há um detalhe na abertura do programa de segunda-feira, 28: quando o locutor diz que os comícios juntam cada vez mais gente o editor colocou a imagem de uma mulher, só ela.

Outra coisa, será que as pesquisas feitas pelo PMDB, incluindo as qualitativas, destoam tanto assim das demais que já foram divulgadas? Enquanto Ibope, Campus, Datafolha, Vox Populi dão o governo de Wagner como aprovado – portanto as pessoas considerando que o governador trabalha – Geddel insiste que Wagner não trabalha. Força um comparativo exagerando. Para que Geddel apareça como alguém que trabalha, que é competente, não precisa apelar e ir de encontro à percepção da população.

Tem uma regrinha que todo bom marqueteiro conhece e eu já li nos melhores livros: a rejeição de um candidato que está à frente nas pesquisas equivale quase sempre aos votos que são destinados aos adversários mais contrários – e mais fortes. Ou seja, quem rejeita Wagner, em sua grande maioria, já vota ou em Geddel ou em Paulo Souto. Há, é claro, os que dizem votar em Wagner que ainda balançam, mas que, com certeza, não antipatizam o atual governador. Geddel precisa achar uma linguagem para falar com esse eleitorado soft de Wagner. E mais: precisa ganhar eleitores de Paulo Souto também. E isso não acontece com a tática “eu sou mais inimigo de Wagner do que Paulo Souto, eu bato mais”. Funciona mostrando que Geddel será melhor também que Souto. Para isso Geddel tem que conquistar, cativar, fazer o eleitor se apaixonar por ele.

Não adianta esse estilo promesseiro, que oferece fazer o céu na Bahia em quatro anos. Todo mundo promete. O candidato pode até dizer: minha promessa é melhor que a dele, mas se o eleitor não estiver na sua, não estiver encantado, já era.  O PMDB tem tempo suficiente na TV para fazer um programa com partes distintas que, embora se integrem, ajude o eleitor a fazer análises separadas.

Proposta tem que ter, faz em um quadro e amarra na fala do candidato (mais ou menos como está sendo feito, mas sem a critica na boca do candidato, pelo menos não no modo como ele a faz hoje).

Critica tem que fazer, mas quem pode fazê-la: o atingido, aquele que sofre as tais deficiências que Geddel afirma haver na Bahia. Mas, pelo amor de Deus: microfone sorvetão no meio da rua pode ser evitado. As histórias precisam ser reais e intimistas. Se é para fazer a crítica no estúdio, um outro personagem que não o candidato ou a apresentadora, a sustenta. Deve ter gente com credibilidade no jornalismo ou no meio artístico ainda disponível.

E que o candidato fale de proposta, sim, mas fale, principalmente, do que o povo quer ouvir, do jeito que merece ouvir. E se tem alguma coisa boa na campanha de Geddel é a equipe de marketing.  Tenho certeza de que se ele permitir, o pessoal acha o foco, acerta o tom.

Ainda acho que tem jeito de trazer mais Dilma para a propaganda. Tudo bem que ela assume em comícios proximidade maior com Wagner, mas que o PMDB se intimidou, ah, se intimidou.

Outra coisa, que história é essa de questionar a amizade de Lula dizendo que isso não garante obras e melhorias? Isso, para mim, é o mesmo que dizer que Lula está mentindo ao garantir que faz por ser amigo. De modo enviesado e talvez sem perceber, Geddel acaba dando uma alfinetada no presidente.

O programa de Wagner é o que está melhor estruturado

Também é o mais fácil de fazer. Por ser governo, estar na situação, tem o que mostrar, tem o recall das obras novas e, claro, da propaganda. Basta mostrar e elogiar. Na verdade, a propaganda eleitoral do governador que busca a reeleição é uma competente continuação da comunicação feita pelo governo do final do ano passado até junho deste. A propaganda traz números e dados que os demais adversários não conseguem contestar diretamente.

Veja o caso da demolição da Fonte Nova. Paulo Souto fez uma poesia deprimida sobre imagens da implosão. Wagner “jogou para cima” o evento. Trouxe depoimentos bons que reforçaram a validade da iniciativa.

O candidato do PT ainda tem as pesquisas para trabalhar. Os demais são obrigados a fazer de conta que os levantamentos não existem.

Não há muito o que comentar. Os marqueteiros da campanha de Wagner estão sentados sobre uma mina de informações e de imagens bem produzidas. Têm o que mostrar e o fazem bem. Aproveitam bem da condição de governo e de aliados do presidente Lula. Mas a facilidade poderia virar dificuldade se não houvesse competência. O programa que mostrou o comício de Lula, Dilma e Wagner, por exemplo, foi exemplar. A edição foi muito bem feita, o “diálogo” de Dilma com o governador foi uma magnífica ideia, muito bem exacutada.

Se o pessoal do PT repetir aquele programa até o fim da campanha não precisa fazer mais nada, especialmente a fala de Lula. Basta repetir até ali. É só complementar o programa substituindo a matéria (em si) do comício e colocar as coisas novas: propostas, fala de Wagner e um clip.

Tem destaque o desempenho do governador na propaganda eleitoral, Seguro, feições tranqüilas, tom ameno. Está bem treinado. E não está angustiado, ao que parece, baseado nas pesquisas que o deixam dormir sossegado. Aí, até eu.

Não vou continuar a “análise” do propaganda eleitoral de Jaques Wagner porque teria que ficar fazendo elogios. Pode ser porque eu gosto de Wagner, de Lula e do PT, mas, asseguro, é mais porque a propaganda é redonda, certinha. O acerto do recente marketing do governo (que ganhou o Prêmio Colunistas) está sendo reproduzido na campanha. Na forma, no tom e na linha. Quem tiver outra opinião, talvez mais clara e mais competente, pode deixar nos comentários que eu publico.

FINALMENTE, UFA!

Por fim, acho que no debate sobre a saúde os adversários de Jaques Wagner vão perder feio. Geddel só se sairá bem se tiver a coragem de questionar os governos de Paulo Souto também. A percepção de que as coisas não funcionam bem existe hoje, mas era bem pior antes. Houve melhoras, de fato. Já Paulo Souto tem que ser projetivo, valorizar a sua experiência, reconhecer erros, falar para a frente. E se puder comparar, diretamente, número a número, dado a dado, setor a setor, deve fazê-lo, urgente – se tiver segurança. Talvez ainda dê tempo. (Mas isso é só opinião. Não sou expert, apenas um pitaqueiro viciado).

O que me admira é que a abordagem da questão da segurança tenha sido, até agora, tão chinfrim, tão fraca, de todos os lados.

Não vi os programas de Bassuma nem de Marcos e isso não tem nada de pessoal ou ideológico, admiro – e muito – Bassuma e respeito bastante o PSOL, mas quis avaliar a propaganda (via youtube) dos três candidatos que têm mais chance de vencer a eleição.





Respondendo um e-mail: carta de Aleluia é apelativa e falsa

30 08 2010

Uma pessoa que admiro e prezo, embora com ela tenha tido poucos contatos pessoais, repassou ao meu e-mail uma carta aberta que seria da autoria do deputado federal do DEM, José Carlos Aleluia, um dos últimos colocados na disputado ao Senado. Respeito a preferência dela (é uma mulher), mas me dei ao direito de responder, considerando que quando alguém faz contato com você está autorizando uma resposta, mesmo que não seja aquiescendo com o tema/proposta.

Reproduzo o texto abaixo. Fiz alguns reparos, que não alteram a essência e o sentido do original. O nome da pessoa que me enviou a carta-apelo de Aleluia vai ser trocado por ‘amiga’.

Amiga:

Pelo pouco que a conheço, abro e leio sem temor qualquer coisa que você me envie. Sou dos que a admiram.

Entretanto, não concordo com José Carlos Aleluia e nem com o teor desta carta-apelo. Acho ridículo ele fazer análise da história da esquerda tendo amado e defendido políticos e políticas – direitistas, na pior acepção do termo – que nunca significaram avanço no Brasil ou na Bahia. Acho Aleluia uma fraude maior que a esquerda que ele ataca agora e que sempre atacou, escolhendo ele mesmo um lado. Não sou maniqueista e mais que qualquer um sei o que significa sofrer com estigmas, mas Aleluia tem lado político e um lado que a história mostrou não ter sido bom para o Brasil nem para a Bahia.

Essa carta de Aleluia é um mero discurso. Ele embarcou numa barca furada, vai perder a voz, a posição que desfrutava na política nacional e joga seu último apelo, algo como: Somos todos iguais, não aceito essa divisão entre ‘bons’ e ‘maus’; se eles são bons eu também sou, se sou mau eles também são.

Claro que não se trata de bons ou ruins, mocinhos ou bandidos, mas, sim, de lado errado certo ou errado. O lado dele é o do atraso e da complacência com aquilo que sofremos para combater, independente de Lula ou de Wagner.

Este momento não mais comporta políticos como Aleluia, pseudo-intelectuais que posam de exceções morais, com uma palmatória na mão, como se fossem donos da verdade do mundo, mas que não hesitam – no caso dele, especificamente – a fazer um site onde o baixo nível e os ataques pessoais, especialmente ao presidente, resvalam na sarjeta, à altura do meio-fio.

É o que penso. E só exponho a você porque você me enviou um e-mail que me determinou a dar essa resposta. Espero que não considere o conteúdo ofensivo a você e nem me prive de bons temas e boas novidades quando você as tiver e quiser compartilhar por e-mail.

Abraço.

Giorlando Lima





Contribuir com Capi contribui com o Brasil

19 08 2010

Político de uma leva moral que não se vê mais por aí, João Capiberibe foi vítima de um golpe e perdeu o mandato de senador em 2005. Maltratado pela mídia em sua terra, o Amapá, Capiberibe foi alvo de uma campanha difamatória das mais cruéis, mas sobreviveu e é figura respeitada no Brasil.

Foi João Capiberibe quem fez a lei da transparência, elogiada por Lula e pela imprensa nacional. Entre outras destaques da sua atuação, em apenas três anos de Senado, Capiberibe também foi relator da lei contra a pirataria, tendo recebido dos músicos brasileiros um disco de ouro pelo seu empenho em defesa dos direitos dos artistas.

Capi, como é conhecido, está em campanha para voltar ao Senado. Enfrenta adversários muito poderosos que fazem campanhas caras. Como não dispõe dos mesmos recursos Capi está contando com o apoio dos amapaenses e de seus amigos espalhados pelo Brasil e pelo mundo. No blog dele há uma opção para ajuda financeira. O cantor e compositor Chico César foi um dos que já colaboraram com uma contribuição de R$ 1 mil.

Você – que acredita em quem faz política séria e comprometida com políticas públicas que beneficiem a cultura, a educação e os mais precisados – também pode ajudar. Tenho certeza que vale. Entre no blog de @joaocapi e veja como fazer sua doação para a campanha dele. O Brasil só tem a ganhar com o retorno de João Capiberibe ao senado. O blog dele: www.capi401.blogspot.com

Antes, aproveite e dê uma olhadinha no meu blog. Está desatualizado, mas gosta de ser lido.

(Publicado originalmente no Blog de Giorlando).





Pesquisas eleitorais. No que crer, afinal?

27 07 2010

Pesquisa é um instantâneo da realidade, uma foto do momento. Isso serve para explicar quase tudo: quando uma pesquisa desagrada ou quando ela é muito boa. Neste caso, significa que – maravilha – “estamos muito bem”. No outro caso justifica os baixos percentuais de um candidato, por exemplo – “mas, há uma evolução positiva”.

O pior é quando a pesquisa é boa e é ruim, ao mesmo tempo. Caso do último levantamento do Datafolha que deixou os apoiadores de Dilma e petistas chateados, mais uma vez, com o “serrismo” do instituto ligado ao jornal Folha de São Paulo. “Como é que pode o Vox Populi mostrar Dilma com 8 pontos à frente de José Serra e o Datafolha trazer resultado tão diferente com Serra um ponto à frente de Dilma?”

Depois de ter sido incensado durante anos como O instituto de pesquisa pela esquerda brasileira – que não confiava no Vox Populi e odiava o Ibope -, graças aos últimos resultados de pesquisas nacionais o Datafolha teve o seu nome escrito num papel de embrulho e colocado na boca do sapo, que foi devidamente costurada.

Mas, aí vem o dilema. O desdobramento da pesquisa Datafolha mais recente (24/07, com 10.905 entrevistas) mostrou que vários candidatos a governador da base de Lula e do lado de Dilma, como os governadores de Pernambuco, Eduardo Campo (PSB) e da Bahia, Jaques Wagner (PT), estão bem à frente de seus adversários. Campos teria 59% contra 28% de Jarbas Vasconcelos e Wagner 44%, 38 pontos percentuais a mais que todos os seus adversários juntos.

Pronto. Confusão estabelecida. Os seguidores dos governadores de Pernambuco e da Bahia espinafram o Datafolha pelos resultados nacionais, mas fazem uma festa ruidosa – e muito justa – por causa dos números estaduais.

Vale perguntar quem está dando uma no cravo outra na ferradura? O Datafolha estaria mostrando cenários reais nos estados para aliviar “posicionamento serrista” no cenário nacional, como ouvi amigos petistas afirmarem? Ou comemorar os resultados locais com festa seria o modo de o PT assoprar a mordida violenta que deu no Datafolha por causa da “torcida” por Serra?

Sei lá.

Outra coisa, o Brasil tem 27 estados e um distrito federal

O Datafolha induz o Brasil a um erro neste período: apresenta uma pesquisa de avaliação de governadores, feita em sete dos 27 estados brasileiros, mais o Distrito Federal, e transforma o resultado no “ranking” dos melhores governadores do país. Os primeiros da lista viram “os melhores governadores” e os últimos “os piores governadores” do Brasil. Repercutido assim pelo restante da mídia, o “ranking” transforma-se em um equívoco enorme e um desrespeito aos demais governadores e respectivos estados.

O ranking é um abuso. É como considerar os demais estados e seus governadores como de segunda ou terceira categoria. Por que o governador de Pernambuco é o melhor do Brasil? Ele foi o mais votado no estado dele, em um levantamento que só incluiu outros sete estados e mais o Distrito Federal (a repetição é necessária). E os outros 20 estados? Já foram todos os governadores pré e automaticamente avaliados pelo Datafolha como ruins, piores que o pior entre os avaliados? O pior dos oito avaliados é mesmo o pior dos 28 governadores brasileiros?

Meio sem querer querendo, como diria Chaves (não o Chávez), a Folha de São Paulo vende assim para o Brasil. Na ponta, nos estados, especialmente porque é período eleitoral, os governadores bem-avaliados soltam rojões e fazem festa e os adversários dos mal avaliados ajudam a espalhar a notícia – boa para a oposição, péssima para “desqualificado”.

Um levantamento desses é muito bom, positivo, mas teria que ser nacional de verdade. Um governador que está em 7ª posição em um levantamento onde se avaliam apenas 8 é o infeliz penúltimo. Mas se todos os 28 são avaliados é provável que a posição dele mude e os estragos políticos sejam reduzidos. Ou não.

De qualquer forma, como a expressão é livre eu me manifesto achando essa ideia da Folha/Datafolha boa em apenas um terço. Para ser justa deveria ser ampla. Eu não tenho dúvida, por exemplo, de que o governador Jaques Wagner vem trabalhando direito pelo meu estado e certamente está entre os melhores do Brasil. Mas, não saberia dizer se o trabalho do primeiro lugar no ranking do Datafolha é mesmo melhor que o de Cid Gomes (Ceará), ou de Marcelo Deda (Sergipe) ou que o de Paulo Hartung, no Espírito Santo, que concorre ao Senado.

Pronto, falei.





Pintura de muro não é marketing. É esculhambação

13 07 2010

Duas das coisas mais atrasadas nas campanhas eleitorais do Brasil são a pintura de muros e a propaganda em carros de som. Só servem para poluir. Pode até ser no interior, bem para dentro do estado, um carro de propaganda rodando com uma música de candidato e uma mensagem curta, em volume de som aceitável, pode ter alguma aceitação.

Mas, nas cidades maiores e na capital é só poluição. São muitos carros: de deputados, de candidatos a governador, de puxa-saco… Músicas ruins, textos pobres e som alto. No subúrbio eles abusam. Passa um atrás do outro. Eu quero é ver quem consegue fixar uma mensagem. A cabeça do eleitor fica um barulho só. Mas, pelo menos carro de propaganda gera ocupação, emprego temporário como dizem, que perdura por toda a eleição. Tem muito pai de família que sustenta a casa com isso. E pode ter música, jingle, peças de publicidade.

Mas, a propaganda nos muros, essa é inexplicável ainda existir. O tal do emprego temporário é ainda mais passageiro. E não tem vaga para muita gente, não. Uma dúzia de pintores ganha algum para poluir as cidades cada dia mais sujas, mais feias. Os muros pichados – chamar de pintura é exceder na boa vontade – são  tratados como propaganda de primeira. Tem candidato que os disputa a tapa. No interior já teve tiroteio por causa de muro.

Aqui em Salvador dois momentos: na semana passada apareceram muros da campanha do PT pintados sem o nome da candidato ao Senado, Lídice da Mata. Foi o maior panavueiro. O governador Jaques Wagner estava na África do Sul, ao lado do presidente Lula no lançamento da Copa 2014 no Brasil e lá teria recebido vários telefonemas. Uns desesperados, nervosos, outros ameaçadores, igualmente nervosos. Uns acusavam, outros se desculpavam.

A chateação por causa dos muros do PT pintados sem o nome de Lídice era tamanha que os blogs e jornais divulgaram que a candidata a senadora do PSB (número 400) desistiria da postulação e da campanha se o governador não chamasse os petistas para uma conversa séria e o “grave erro” fosse logo consertado. E foi o que ocorreu. Wagner chegou e botou ordem na casa. O ônus ficou todo para Pinheiro (numero 130) e seu grupo de “pintores” de muro.

Agora, ânimos serenados dos lados do PT e de Wagner, eis que o deputado ACM Neto, candidato à reeleição (numero 2526) usa o twitter – sempre esse twitter – para reclamar que Geddel Vieira Lima, candidato a governador do PMDB, havia pintado sobre os muros dele. Foi um recado duro e direto, o de Neto: “Coisa feia. Geddel pinta muro sem autorização e passa por cima dos adversários. E dos aliados tb”.

Sentindo o golpe forte, Geddel deu a sua resposta no twitter com ironia e no tom que lhe é peculiar. Disse que se ACM Neto estava tendo que pintar muros ele ficava preocupado com a eleição do neto de Antonio Carlos Magalhães. E prometia corrigir se o erro fosse da campanha dele. (@geddel_ @acmneto Meu caro,se você estiver pintando muros pra sua campanha passo a me preocupar c/ sua eleição.Se na minha alguem errou vai corrigir). Uma resposta mais dura, sem dúvida. Um chute na canela.

Tudo isso (o calundu de Lidice e a “briga” de ACM Neto e Geddel) por causa de uma propaganda horrorosa, ineficaz, que logo se mistura às demais e ninguém mais vai ler ou separar o que ler, e cujo resultado final é só e só e só, poluição da cidade, já feia.

Pintura de muro deveria ser proibida, como o outdoor. É uma coisa errada e atrasada. Os publicitários criam uma marca, escolhem fonte e vira tudo um aglomerado de letra mal desenhadas, numa bizarrice de dar dor. Um desperdício da criatividade dos publicitários. Deveria ser proibida independente ser estar em propriedade provada ou não. Ou pelo menos controlada. Não vale mais a regra dos 4 metros quadrados? Ou podem ser 4 metros quadrados de cada membro da chapa? A pintura de nomes e números de candidatos em muros não é marketing, não é propaganda, é esculhambação.

O muro da discórdia no PT

Acusação de Neto a Geddel é dura

Geddel responde ainda mais duro





Tirando o fígado (e o blog) da campanha eleitoral

12 07 2010

O leitor mais freqüente do blog deve ter reparado que alguns posts sumiram. Eu os apaguei. A minha ideia com o blog era manifestar uma opinião independente e sem paixão, a mais informativa possível. Mas, ultimamente, andei muito engajado e acabei escrevendo alguns textos um tanto quanto panfletários. Não diria incorretos, nem injustos, mas carregados de um tom agressivo.

Não mudei minha opinião política nem passei a ser um santo de uma hora para outra. Não tive o meu momento “a caminho de Damasco”. Entretanto, ao apagar os posts mais duros, quero dizer para os leitores e para mim mesmo que não vejo o meu trabalho de jornalista traduzindo o pensamento de terceiros e tampouco acho que a política deva ser praticada com o fígado.

Continuo achando Jaques Wagner um candidato melhor que Paulo Souto e Geddel Vieira Lima e ainda me posiciono favorável à campanha do atual governador, mas isso não mais será motivo para textos ferinos, passionais e focados em pessoas.

Sobre o que escrevi e apaguei mantenho o essencial e o conteúdo. Acho, por exemplo, que Geddel tem sido boquirroto e exagerado, especialmente no twitter, e que seu marqueteiro não deveria dar links ou vender como verdade mentiras que trazem para a web. Os que me ameaçaram de processo podem usar seu “prints” e o cache da internet para “provar” meus delitos de opinião.

De hoje em diante vou voltar ao blog que eu havia planejado: independente – não neutro ou imparcial, que isso é fantasia, mas independente e honesto. E isso não significa esconder que tenho um lado político, torço por um time de futebol ou tenha um credo que posso defender, mas é bem diferente de ser panfletário.





Cuidado com a criatividade dos arautos da tragédia

4 07 2010

Há um ditado, sentença, provérbio (escolha você) popular muito usado quando alguém ou um grupo é atacado ou perseguido com mentiras ou piadas de mau gosto: os cães ladram e a caravana passa. Vou evitar usar neste texto sobre a forma como os adversários do governador Jaques Wagner estão fazendo campanha, adotando como tática espalhar ou comemorar notícia ruim. Mas, caberia.

Tem assalto? Tem matéria de divulgação produzida por assessoria de candidato, tem discurso de candidato. Houve tiroteio e morte na Bahia? “Esqueçam a dor dos feridos e das famílias dos mortos, façam um escarcéu aí”, parece ser a determinação nos quartéis generais das campanhas do DEM e do PMDB. Tragédia pouca é bobagem, eles parecem torcer para que a violência cresça cada vez mais, para que os tais índices de criminalidade se agigantem, só assim, acreditam, um sai de 23% o outro de 9% nas pesquisas.

Nestes quatro ou cinco dias de chuvas em Salvador, o governo da Bahia está de prontidão e os correligionários e apoiadores da reeleição de Wagner – falo porque conheço muitos – torcem e oram para que nenhuma tragédia se registre. Ninguém precisa torcer por desgraça para lembrar que o ex-ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima deixou de enviar recursos para o resto do Brasil optando por destinar quase tudo para as prefeituras do PMDB e de aliados na Bahia. Nesta hora a gente diz: tomara que as verbas tenham sido aplicadas e nada grave aconteça na Bahia. Ninguém comemora se o canal do Imbuí transborda. Eles fariam uma festa.

Tudo isso é para chegar à mais recente exploração política de uma notícia que seria mais que ruim, seria péssima. Os adversários do governador Jaques Wagner o “infartaram” hoje. Isso mesmo. Tendo ido ao Hospital Espanhol para exames de rotina que faz sempre no mesmo lugar e com os mesmos médicos, Wagner foi visto por um “esperto” que se encarregou de espalhar que o governador havia sofrido um infarto. Colocaram logo na internet e tentaram espalhar pelo interior.

Uma mentira deslavada. Carregada de mau caratismo. O governador está bem, convivendo com seus mais de 42% nas pesquisas e olhando de longe Paulo Souto com 23% e Geddel com 9%.

Para mim, o ápice da canastrice dos assessores da oposição, dos conselheiros de Geddel e Paulo Souto – que, ainda não sei, espero não tenham pessoalmente entrado nessa jogada furada. Alem do que, cabe aos dois, agora, se manifestar.

Vejam até onde o desespero chegou. Já não basta “achar ótimo” que a violência cresça, agora a oposição espalha que o governador teve um infarto, achando que isso vai enfraquecer o candidato que está à frente nas pesquisas. Muito mau agouro. O que mais esses arautos da tragédia vão aprontar? Cuidado, criatividade é o que não falta na campanha da oposição.

P.S.: Conversei agora há pouco com um dos assessores mais próximos do governador Jaques Wagner, Nelsinho Simões. Ele me disse que acha tragicômica essa tática de espalhar e tentar se aproveitar de boatos como o do “infarto de Wagner”. Cômico porque ele (Nelsinho) sabia há dias que o governador estava como a avaliação marcada, como faz periodicamente, e trágico porque mostra que tem gente pouco preocupada com a verdade e agindo irresponsavelmente na política, num jogo em que “tudo vale”, até brincar com a saúde do governador em busca de (questionáveis) resultados políticos. Nelsinho sente muito por esse jogo sujo da oposição e acha que o descrédito de quem o faz se acentua na população. Eu também acho, presta atenção Geddel, fica atento Paulo Souto.





Ocaso do DEM obscurece futuro político de Paulo Souto

29 06 2010

Tinha muita gente estranhando o silêncio a que se submeteu o candidato Paulo Souto logo depois de sua convenção, realizada junto com a do presidenciável José Serra, no dia 12 de junho, em Salvador.
Imaginada como um evento para ajudar Serra na Bahia, por que se julgava que haveria grande repercussão, a própria convenção não cumpriu seu papel . Para começar, apesar de ter acontecido no dia dos namorados os pares não estavam completos. A Paulo Souto faltava um senador e a Serra faltava um vice-presidente.

Hoje, o DEM apresentou o deputado José Carlos Aleluia como segundo candidato a senador da chapa – o primeiro é o ex-prefeito de Feira de Santana José Ronaldo. O DEM deve querer fazer disso uma notícia política de impacto, o que não é. Aleluia tem votos que o elegeriam de novo tem deputado federal, mas não traz nada a mais para Paulo Souto que ele não tivesse. É apenas um nome para compor e resolver um problema interno do DEM. Foi para o sacrifício aqui, como iria se fosse escolhido para vice de Serra. Não deu lá, topou cá. José Ronaldo teria uma grande votação se fosse candidato a deputado federal pois tem enorme força na região de Feira. Mas, fica nisso. É um grande desconhecido na maioria do estado.

Caindo no precipício?

Para o público externo, aquele que interessa, o DEM não tem novidade a apresentar. E ainda tira dois nomes fortes que certamente reforçariam a bancada demista na Câmara de Deputados. Assim, sem querer, o DEM da Bahia pode estar ajudando a colocar uma pá de cal no futuro nacional do partido, que está ameaçado de tornar-se um dos chamados nanicos depois desta eleição. Paulo Souto pode estar sendo levado junto precipício abaixo.

O DEM foi rifado pelo PSDB na escolha do vice do presidenciável José Serra, em alguns lugares bate cabeça sem saber que direção seguir e ainda tem que rezar para que o povo tenha esquecido o “demsalão” protagonizado pelo ex-governo de Brasília, José Roberto Arruda. E Paulo Souto é um dos que mais sofrem com a aguda crise por que passam o seu partido e aquele que seria seu principal aliado.

Nas vésperas da convenção o ex-governador enfrentou uma rebelião dos deputados estaduais que, descontentes com decisão do PSDB de não fazer coligação proporcional, passaram por cima de sua autoridade de presidente do DEM e foram reclamar a uma senadora tucana, Marisa Serrano. O gesto fez o presidente do PSDB da Bahia, deputado Jutahy Júnior bufar de raiva. Paulo Souto, que reclamou na primeira tentativa de motim, na segunda ficou calado.

Paulo Souto, sabe-se, já paquerou e foi paquerado pelo PSDB, mas não mudou-se para lá, segundo consta, por lealdade ao carlismo e a ACM ainda vivo. Não dá para saber se no PSDB teria mais sorte. O certo é que, morto ACM, agonizante o carlismo, agora Paulo Souto arrisca-se a ter o seu tamanho político diminuído numa eleição em que ele sonhou ter chance. A crise dos partidos (PSDB e DEM) que deveriam lhe dar força o fazem definhar eleitoralmente. Uma sombra aterrorizante que escurece o seu caminho até 3 de outubro – e para o futuro.





Recados de Dilma impactam Geddel, que silencia

28 06 2010

Foi, inquestionavelmente, uma festa gigantesca com público estimado de 6 a 7 mil pessoas, a convenção do PT realizada ontem. A quantidade de gente presente, aliás, levou o PMDB a, mais uma vez, tentar uma de suas polêmicas com o PT. No twitter, assessores de Geddel Vieira Lima provocavam dizendo que a convenção do seu partido atraiu um numero maior de pessoas.

Uma balela. E uma tentativa de consolo. Mas, ainda que fosse verdade, os geddelistas tiveram que absorver os recados de Dilma Roussef.

Depois de comemorar estrondosamente a presença da candidata do PT à presidência da República na sua convenção, Geddel ficou sabendo que Dilma deu dois recados impactantes na reunião do PT que confirmou o governador Jaques Wagner candidato à reeleição.

Primeiro Dilma disse na entrevista coletiva à imprensa que falara com o presidente Lula antes de vir a Salvador e que Lula mandou dizer a Wagner que é para ele não parar de brigar e ganhar a eleição. Para autenticar o recado, Wagner foi tratado como Galego, o apelido pelo qual Lula trata o governador da Bahia, seu amigo pessoal há mais de 20 anos. A mensagem repercutiu forte na mídia.

O Correio da Bahia de hoje trouxe o assunto como matéria de destaque, com a manchete O troco do Galego. Referia-se ao fato de que depois do estardalhaço feito por Geddel comemorando a visita de Dilma a sua convenção, a sua ex-colega de ministério vem de novo à Bahia para deixar claro que o presidente Lula tem uma preferência clara pela reeleição de Jaques Wagner.

Faltava Dilma falar dela mesma, para dar o arremate, a ducha de água fria que Geddel não desejava. Em seu discurso na convenção, depois de longos elogios a Wagner, especialmente pela postura de apoio e solidariedade do governador da Bahia durante os momentos difíceis vividos por Lula no primeiro mandato, Dilma deu o recado que faltava. Disse que ela e Wagner estão no mesmo barco e continuarão nele.

E GEDDEL ACUSA O GOLPE

Em um dos momentos mais emocionantes, a candidata do PT a presidente da República afirmou que ela e Jaques Wagner são irmãos de alma e de projeto político. Mais clara impossível, diante da delicadeza que é o acordo nacional com o PMDB, que prevê “dois palanques” na Bahia. A confirmação da empolgação de Dilma com a convenção de Wagne ela postou no tweeter: “Senti uma energia muito forte na convenção do PT lá em Salvador. Axé, pessoal!”. Nem isso ela fez depois que visitou a reunião do PMDB.

Até agora não houve manifestação de Geddel sobre a vinda de Dilma à convenção do PT. Mas uma postagem do peemedebista – respondendo a um internauta em seu twitter – pode dar uma ideia de como ele foi impactado pelo que disse a ministra na festa de Wagner. “Não menosprezo força de ninguém.Mas vou buscar nas minhas a trilha p vencer eleições e implantar com garra,projeto efetivo pra BA”, escreveu Geddel, no que pode ser interpretado como a mensagem de quem entendeu bem os recados, afinal, ele sabe afinal que Dilma e Wagner são do PT e disputarão a eleição com o mesmo número 13.





Tragédias lembram “republicanismo” às avessas de Geddel

25 06 2010

As chuvas que levam a tragédia aos estados de Alagoas e de Pernambuco trazem de volta à tona um desastre administrativo: Geddel Vieira Lima, ex-ministro da Integração Nacional e candidato do PMDB ao governo da Bahia. Mais uma vez a ONG Contas Abertas mostra que Geddel  deixou de mandar dinheiro para os estados atingidos pelas chuvas. Este ano, Alagoas não recebeu nada e Pernambuco recebeu apenas R$ 172,2 mil do programa de prevenção de desastres do Ministério da Integração Nacional. Geddel foi ministro até abril.

Em socorro ao ex-ministro os assessores do candidato do PMDB se apressam a dizer que Geddel abandonou os outros estados para trazer dinheiro para a Bahia. O próprio Geddel quis usar isso a seu favor na campanha. Mas é apenas uma meia-verdade. Uma conta simples desmente isso: a Bahia tem 417 municípios, Geddel mandou dinheiro para pouco mais da metade, dos quais a imensa maioria administrada pelo PMDB e partidos aliados da sua campanha ao governo do estado, que ficaram com 78% dos recursos repassados pelo Ministério da Integração Nacional.

Dizer que trouxe verbas para a Bahia é pura propaganda enganosa. Trouxe verbas para seus redutos, com claro interesse eleitoral. Enquanto isso, os demais que se lixem. Muito parecido com o que fazia ACM, que investia tudo na região metropolitana, com peso maior em Salvador – deixando o resto do estado praticamente à míngua – e ainda dizia que amava a Bahia. As cidades que eram contra ele sofriam exatamente o contrário. Mas, respeitemos Geddel, ele diz que não aprendeu com o carlismo.